últimos artigos

Taylor Swift: referências clássicas e literárias


Não é novidade para absolutamente ninguém que Taylor Swift, uma das maiores artistas de sua geração, com notório destaque como letrista, faz referências a livros em suas músicas. A cantora é uma leitora ávida, tendo várias vezes compartilhado com o público alguns de seus livros preferidos, inclusive, compondo para uma de suas sagas favoritas, Jogos Vorazes, a canção Safe & Sound, interpretada por ela mesma em um feat com The Civil Wars.

Taylor já afirmou diversas vezes que livros são fontes de inspiração na hora de escrever suas letras. As experiências literárias vividas por ela renderam composições incríveis. Cada leitor tem sua interpretação particular ao ler uma obra, e quando se trata de clássicos, não podemos esquecer da atemporalidade que trazem. Em uma linguagem universal, muitos dos temas e críticas tratados nas obras mais antigas da literatura ainda persistem, se fazem atuais, e a perspicácia de Taylor os traz à tona com suas músicas.

Romeu e Julieta, por William Shakespeare



Várias músicas de Taylor Swift possuem trechos citados diretamente de livros ou contam a perspectiva de um dos personagens da história em questão. A maior e mais reconhecida delas é Love Story, cuja letra tem referência ao clássico Romeu e Julieta, de William Shakespeare. A música conta a perspectiva de Julieta sobre o relacionamento de ambos, como ela cansou de esperar que seu amado tomasse uma atitude pelos dois. Porém, esta não é a única referência na música. No trecho "cause you were Romeo, I was a scarlet letter", Taylor cita o livro A Letra Escarlate, de Nathaniel Hawthorne. Na história, a personagem que tem a letra A marcada no peito sofre preconceito dos puritanos de sua comunidade por ter cometido adultério e desafiado as normas sociais da época.

Em 2021, após ter recuperado o direito sobre suas músicas, como uma forma de demonstrar ser página virada e dar a volta por cima de toda a polêmica e dor que envolveu esse assunto, Taylor regravou Fearless, seu segundo álbum de estúdio. Em uma conversa com sua gravadora, afirmou: "I really loved the story of Romeo and Juliet, except for the ending because that was just, like, too devastating to process, so, I changed the ending in the song" ("eu realmente amei a história de Romeu e Julieta, exceto pelo final, porque foi devastador demais para processar, então, eu mudei o final na música").

Alice no País das Maravilhas, por Lewis Carroll



A primeira referência ao clássico infantil acontece na edição deluxe de 1989, quinto álbum de estúdio de Taylor, na faixa Wonderland. A referência vai além do título da música, pois, ao longo desta, há alusão a uma experiência amorosa que, aparentemente, se deteriora com o tempo. No universo de Alice no País das Maravilhas, o tempo é uma questão importante, abordada por um dos personagens da história.

Didn't you calm my fears with a Cheshire Cat smile? (Wonderland)

Em 2020, durante o período considerado mais crítico da pandemia, Taylor compôs seu oitavo e nono álbuns de estúdio, Folklore e Evermore, ambos com referências literárias em suas composições. A faixa doze de Evermore, Long Story Short, traz em seu refrão a estrofe "I fall from the pedestal right down the rabbit hole", o que pontua novamente uma referência ao clássico de Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson.

A cantora afirma que, para passar por esse momento da pandemia, foi necessário buscar escapismo em livros, camisolas e lugares onde a mente pudesse descansar. Assim, nasceu o Aesthetic Woodvale. Os dois álbuns possuem composições cheias de referências clássicas e literárias. Em 2021, Folklore fez Taylor Swift, Jack Antonoff e Aaron Dessner levarem para casa o Grammy de Melhor Álbum do Ano.

Peter Pan, por James Matthew Barrie



Em Cardigan, Taylor cantou "I knew you / Tried to change the ending / Peter losing Wendy". O carro-chefe de Folklore conta a versão de Betty, que foi traída por James com Augustine. Nessa história criada e contada pela cantora dentro do álbum, cada personagem desse triângulo amoroso possui uma música como canal para contar sua versão dos ocorridos e como se sentiu a respeito. Betty fala sobre como se perde a garota certa ao correr atrás de duas, e Taylor faz referência a Peter Pan, sobre como ele perde Wendy por escolher voltar para a Terra do Nunca. Sabe-se que a Terra do Nunca é um simbolismo para quem se recusa a crescer, amadurecer. Num comparativo, vemos Betty entender as ações de James como infantis, uma recusa à maturidade, tal qual Peter Pan, que escolheu não crescer ao invés de ficar com a Wendy.

O Grande Gatsby, por F. Scott Fitzgerald



Taylor faz referências ao romance clássico de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, em duas de suas músicas, sendo uma Happiness, a 9ª faixa de Evermore, e a outra sendo This Is Why We Can't Have Nice Things, a 13ª faixa de Swift em seu sexto álbum, Reputation.

Em This Is Why We Can't Have Nice Things, canção que muito provavelmente foi direcionada a Kanye West e Kim Kardashian e toda a polêmica envolvendo a música Famous do rapper, Taylor fala sobre como se sentiu como Jay Gatsby por um ano inteiro. No romance, quando Jay Gatsby dá grandes festas, generosamente presenteia seus convidados com coisas caras e é voluntariamente gentil com eles, mas estes não parecem apreciá-lo, apenas especulam sobre seu passado e fazem suposições ofensivas sobre ele.

Ao falar sobre se sentir como Gatsby por um ano inteiro, Taylor faz referência a 1989 World Tour, em que a cantora convidou vários artistas para dividir com ela o palco ao longo da turnê. A polêmica envolvendo Kanye West fez com que várias dessas personalidades famosas virassem as costas para ela, mesmo tendo compartilhado com eles momentos importantes de vida e de carreira, coisa que ela estimava muito.

Espero que ela seja uma idiota - essa é a melhor coisa que uma garota pode ser neste mundo, uma linda pequena idiota. (O Grande Gatsby)

Em Happiness, ela faz uma citação direta do livro: "I hope she'll be a beautiful fool". Essas palavras são ditas por Daisy, personagem do romance, acerca de sua filha, desejando que ela fosse ignorante dos problemas do mundo. A música trata de forma madura sobre o término de um relacionamento, considerando que houve felicidade por causa deste, há felicidade no futuro apesar deste, que havia felicidade antes dele acontecer. No entanto, Taylor distorce a citação direta do livro para seu proveito em um comentário mordaz, desejando que quem venha depois dela seja uma bela de uma tola, dando a entender que somente assim poderá ter um relacionamento feliz.

Jane Eyre, por Charlotte Brontë



And isn't it just so pretty to think / All along there was some / Invisible string / Tying you to me? (Invisible String)

A referência a este clássico aparece em Invisible String, 12ª faixa de Folklore. A música fala sobre pessoas que estão destinadas a se encontrar, almas gêmeas conectadas por um fio invisível. No livro de Jane Eyre, o Sr. Edward Fairfax Rochester diz a Jane, sua amada, que sente como se ambos fossem conectados por um elo inexplicável, uma estranha corda presa sob suas costelas do lado esquerdo do peito. O fio referido na música aparece nos clipes de Cardigan e Willow. Há especulações de que esta canção se refira ao próprio relacionamento de Taylor com Joe Alwyn, seu atual companheiro de vida.

Um Conto de Duas Cidades, por Charles Dickens



It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of light, it was the season of darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair. (Um Conto das Duas Cidades)

A música Getaway Car, 9ª faixa de Reputation, conta a história de um relacionamento que inicia em um carro de fuga e termina de forma infeliz, afinal, o que esperar de um amor que começa como uma válvula de escape? A música soa como uma explicação, e em sua letra é possível encontrar duas referências. A primeira é sobre Bonnie e Clyde, casal de criminosos mais famoso da história estadunidense dos anos 1930, conhecidos por viver uma vida de viagens e crimes, sempre partindo dos locais de seus delitos em um carro de fuga.

A segunda é uma citação direita do livro Um Conto de Duas Cidades, de Charles Dickens, obra que nos conta sobre a pobreza e as injustiças presentes nas cidades de Londres e Paris na época da Revolução Francesa: "It was the best of times / The worst of crime". Mais uma referência que Taylor usou como metáfora para descrever uma fase de sua vida, pois, muito provavelmente, essa música seja sobre seu término com Tom Hiddleston.

Rebecca, por Daphne Du Maurier



Use my best colors for your portrait. (Tolerate It)

Em algumas entrevistas, Taylor admitiu ter lido o clássico de 1938, escrito por Daphne Du Maurier, e que a música Tolerate It, faixa nº 5 de Evermore, foi inspirada nele. Se você não leu Rebecca, nem assistiu ao filme da Netflix de 2020 ou a produção de 1940, de Alfred Hitchcock, saiba que a história é sobre uma mulher que se casa com um homem que ela acredita ainda estar apaixonado pela falecida esposa, Rebecca. A personagem principal se sente tolerada pelo marido e intimidada pela forte presença da outra, não conseguindo a atenção de seu esposo mesmo se esforçando para o impressionar. Numa entrevista dada para a Apple Music Awards 2020, Taylor contou sobre como se identificou com essa personagem, por já ter vivido um relacionamento em que era apenas tolerada, pois em um momento de sua vida se encontrou dessa forma.

Good thing my daddy made me get a boating license when I was fifteen. (No body, no crime)
Ainda sobre Rebecca, outra referência encontrada em Evermore é na sua 6ª faixa, na música No Body, no crime, que conta o assassinato de uma pessoa - um homem casado, aparentemente. A semelhança com a história é surpreendente, pois o corpo de Rebecca é encontrado da mesma forma que o homem da música é morto.

Uma curiosidade é que Rebecca é considerado um plágio do livro A Sucessora, de Carolina Nabucco, publicado em 1934. O podcast do Querido Clássico, no episódio A Sucessora: sob as palmeiras, uma assombração, explana de forma pontual como Daphne Du Maurier teve acesso ao livro da Carolina Nabucco antes de ser publicado, assim como as semelhanças e diferenças entras as duas histórias. Certamente Taylor amaria a versão original de Carolina, principalmente pelo fato de que a cantora, mais do que ninguém, já sentiu na pele o que é ter sua obra monopolizada por outras pessoas e não poder fazer nada a respeito.

O Morro dos Ventos Uivantes, por Emily Brontë



Em My Tears Ricochet, 5ª faixa de Folklore, temos uma música sobre O Morro dos Ventos Uivantes. Além de ter algumas metáforas sobre experiências pessoais da cantora, a composição foi inspirada pela relação conturbada entre Heathcliff e Catherine, personagens principais da história de Emily Brontë.

A música é sobre uma pessoa que fora a obsessão de outra e, quando morta, a lembrança dessa relação perturbada, resultado dessa obsessão, acaba virando uma assombração. Trechos como "Even on my worst day, did I deserve, babe / All the hell you gave me? / 'Cause I loved you, I swear I loved you / 'Til my dying day" dão a entender que a letra da música é do ponto de vista de Cathy.

A personagem, antes de morrer, reencontra Heathcliff e diz que ele a matou, a partiu ao meio, questionando se ele irá amá-la até o último dia de sua vida, se será capaz de esquecê-la, ao que ele responde afirmando que essas palavras vão ficar marcadas em sua memória e corroê-lo cada vez mais fundo, eternamente depois que ela o deixar. Catherine morre no dia seguinte do encontro com Heathcliff, e seu espírito volta para vagar no Morro dos Ventos Uivantes e na charneca ao redor, assombrando as pessoas que passavam por ali.

Mary Poppins, por Pamela Lyndon Travers



Mary Poppins é uma babá inglesa que, com poderes mágicos, chega na casa da família Banks depois de uma tempestade de vento, voando em uma sombrinha. A referência a este clássico se encontra no clipe da música ME!, uma colaboração com Brendon Urie, do Panic! At The Disco. A música é a 16ª faixa de Lover, 7º álbum de estúdio de Taylor Swift, e no clipe, entre cobras se transformando em borboletas, cores em tons pastéis e unicórnios, há uma cena em que o cantor se locomove da mesma forma que Mary Poppins: descendo ao chão por uma sombrinha ao encontro de Taylor.

Referências poéticas


Emily Dickinson

I spilt the dew -
But took the morn, -
I chose this single star
From out the wide night's numbers -
Sue - forevermore!
(One Sister have I in our house - Dickinson)


As referências literárias presente na obra de Taylor Swift se estendem a personalidades, a exemplo de Emily Dickinson, uma importante poeta estadunidense do século XIX que, em 2019, ganhou uma série produzida pela Apple TV+, tendo Hailee Steinfeld no papel principal. A referência a Dickinson se encontra no título do álbum, Evermore e, consequentemente, na música que carrega seu nome, pois, no que se diz respeito a este álbum, Taylor tem um tema recorrente e em comum com Emily: a morte.

And I was catching my breath / Barefoot in the wildest winter / Catching my death / And I couldn't be sure I had a feeling so peculiar That this pain would be for Evermore (Evermore)

Também é possível que Ivy, 10ª faixa de Evermore, seja sobre o relacionamento entre Dickinson e Sue, sua cunhada, pois a música é sobre alguém que está apaixonado por uma pessoa prometida a outra, afirmando que viveria e morreria pelos momentos entre si. A série explanou de forma feliz o relacionamento entre Emily e Sue, algo que foi bastante abafado ao longo do sucesso da poeta em questão.

Oh, goddamn/ My pain fits in the palm of your freezing hand / Taking mine, but it's been promised to another (Ivy)


Os Poetas do Lago 

Em The Lakes, Taylor faz referência ao Lake District, poetas, prosa triste e Wordsworth. É inegável que ela é toda do Romantismo. Em New Romantics, última faixa de 1989, 5º álbum de estúdio da cantora, ela expressa seu interesse por esse movimento e demonstra que o mesmo é uma das suas fontes de inspiração, porém, suas composições mais românticas se encontram a partir de Folklore. A prova disso são as letras que falam sobre sentimentos e emoções intrinsecamente associados a elementos da natureza.

O Lake District, localizado no Noroeste do Reino Unido, era extremamente popular entre os poetas do século XIX, presente em muitos poemas do Romantismo, de personalidades como Samuel Taylor Coleridge e William Wordsworth. É muito provável que Taylor Swift e Joe Alwyn tenham passado muito tempo juntos no Lake District, uma vez que ele nasceu em Royal Tunbridge Wells, região dos lagos. Diante dessas várias ligações com a região, não é surpreendente que a música em questão carregue o título que tem.


Outro ponto que denota essa referência na música e no álbum propriamente dito é um inteligente jogo de palavras com o nome de William Wordsworth, um dos maiores poetas românticos da literatura inglesa: "I’ve come too far to watch some name dropping sleaze, tell me what are my words worth?". Taylor se apropriou de tudo isso para expressar fortemente sua experiência poética.

Were you waiting at our old spot / In the tree line / By the gold clock? / Did I leave you hanging every single day? / Were you standing in the hallway / With a big cake? Happy birthday / Did I paint your bluest skies the darkest grey? (Coney Island)

Life was a willow and it bent right to your wind (Willow)

Toda essa inspiração no Romantismo também respinga em Evermore, a irmã de Folklore. Composições como Coney Island e Willow apresentam fortes elementos que caracterizam essa escola literária. Assim como os poetas do lago, Taylor canalizou suas emoções através da arte. Toda a estética dos seus últimos álbuns aponta para esse momento na escrita. O conceito do escapismo através do desejo de simplicidade, atrelados a uma forte ligação com a natureza, é exatamente o que o Romantismo propôs.


Pablo Neruda

Love is so short, forgetting is so long

A referência a Pablo Neruda, poeta, diplomata e político chileno, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1971, aparece ao início de All Too Well: The Short Film, lançado em 2021. O ato pertence à regravação de Red Taylor's Version. Produzido e dirigido pela própria Taylor Swift, o curta inicia com um trecho de Tonight I can write (The Saddest Line) e conta o ponto de vista de Taylor sobre o relacionamento com Jake Gyllenhaal, com Sadie Sink interpretando a cantora e Dylan O'Brien, o ator. A melodia é sobre o luto pelo término de um relacionamento que fôra intenso, mas negligenciado, e o quanto isso deixou marcas profundas que não podem nem devem ser esquecidas.

Sylvia Plath 


A poeta, romancista e contista Sylvia Plath aparece em Red Taylor's Version também, na composição de All Too Well (10 Minute Version). Nessa música, Taylor fala sobre como imaginou e esperou demais de alguém que não podia lhe oferecer o que ela esperava de um relacionamento, e como essa pessoa também a idealizou. A forma como ela canta "You double-cross my mind" de modo incisivo se assemelha ao trecho "I think I made you up inside my head", repetido de incisivamente em Mad Girl's Love Song.

O poema de Plath, que também se refere ao luto de um relacionamento idealizado, fala sobre como o eu-lírico sonhava estar enfeitiçada na cama e enlouquecida de amor. Num dos trechos do videoclipe de All Too Well, Sadie Sink e Dylan O'Brien se encontram na cama, ela totalmente encantada por ele, pelo momento sublime e íntimo entre os dois e, depois, vivendo o inferno, tendo sido tudo tão fugaz.

Para além das referências literárias


Elizabeth Taylor e Richard Burton

Em 2018, Taylor contou em uma entrevista com Pattie Boyd para a Harper's Bazaar que leu Furious Love, de Sam Kashner. O livro em questão reúne cartas de Richard Burton e conteúdos de diários dele e de Elizabeth Taylor, revelando detalhes do relacionamento intenso entre os dois, que foram considerados o casal do século por muito tempo, marcando a história de Hollywood no século XX.

A referência ao casal aparece notoriamente em Wildest Dreams, música e clipe. Alguns trechos letra da 9ª faixa do álbum se encaixam com a história de Richard e Elizabeth, que começaram o relacionamento durante a filmagem de Cleópatra, dirigido por Joseph L. Mankiewicz e lançado em 1963. Liz Taylor interpretava a rainha do Egito e Burton seu par romântico, Marco Antônio.

Say you'll remember me
Standing in a nice dress
Staring at the sunset, babe
Red lips and rosy cheeks
Say you'll see me again
Even if it's just in your
Wildest dreams

No clipe da referida música, temos Taylor Swift com cabelos pretos em um set de filmagem na África, vivendo um romance com o ator que protagoniza seu par romântico no filme - ou, pelo menos, é o que fica subentendido. Ao final do clipe, na noite da première, descobrimos que o mesmo é casado e que Taylor se encontrava apaixonada pelo tal, porém, consciente de que fisicamente ele pertence a outra. Essa pode ser uma referência ao início do relacionamento de Richard e Elizabeth, uma vez que ambos eram casados quando se conheceram e se apaixonaram um pelo outro.

Rei Midas 


Na música Champagne Problems, 2ª faixa de Evermore, Taylor usa uma analogia à história do Rei Midas para dizer que o toque de seu companheiro transforma tudo em ouro. O dourado, nas composições e clipes da cantora, remete à felicidade. De origem grega, a mitologia conta que Midas, rei da Frígia, fez um favor ao deus do vinho, Dioniso, e em troca desse favor pediu que seu toque transformasse as coisas em ouro. Porém, sua ganância fez de seu desejo maldição, pois ele acabou por transformar a própria filha em uma estátua de ouro, e não podia nem ao menos comer, pois os alimentos se transformavam em ouro também.

Your Midas touch on the Chevy door / November flush and your flannel cure (Champagne Problems)

Cinturão de Cólera - Flannel cure

Ainda em Champagne Problems, a cantora faz referência a uma superstição que começou no século XVIII. Essa superstição consistia em usar uma flanela, geralmente vermelha, ao redor do abdômen como uma medida preventiva contra o cólera. Tal prática, inclusive, se tornou padrão de exército, pois se acreditava amplamente que o uso da flanela protegia de disenteria e outras doenças relacionadas a essa parte do corpo, além do cólera. Depois de dizer que o toque de seu amante transformava coisas em ouro, Taylor diz que acreditava que ele fosse sua cura, porém, como superstições raramente são verdadeiras, ao fim desse relacionamento ela descobre que não era o caso. Internautas especulam que esta canção também seja sobre o relacionamento da cantora com Tom Hiddleston.

O calcanhar de Aquiles 


Em State of Grace, faixa de abertura de Red, Taylor cita Aquiles, maior e mais belo herói grego da guerra de Troia, honradamente celebrado por Homero. O tal herói é invencível, exceto pelo seu ponto fraco: o calcanhar. Na música, aparece um “you're my Achilles heel / This is the golden age", e logo em seguida a cantora fala sobre como estava vivendo uma era de ouro juntamente do seu calcanhar de Aquiles. Para os renascentistas, a Antiguidade Clássica era considerada como a era de ouro.

Todas as referências citadas só confirmam a grandiosidade presente nas composições de Taylor Swift. Seu destaque como letrista não é em vão. Entre o country, pop e folk, sua perspicácia e sagacidade proporcionaram e, ainda proporcionam, canções com temas atemporais e universais. Seu reconhecimento e destaque é mais que merecido. 

Referências

Karen Borges
Nascida em 1997. Paraense, ecofeminista e vegetariana. Bacharela em Direito e apaixonada por livros, filmes, séries e música. Escritora e artesã nas horas vagas. Obcecada por Taylor Swift, vampiros, bruxas e sereias. Buscando fazer parte de mundo melhor, começando por mim.

Comentários

Formulário para página de Contato (não remover)