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Black Sabbath: mestres da realidade e senhores do heavy metal

Se você quer saber o cotidiano da classe operária inglesa nos anos sessenta enquanto ouve um bom som, recomendo que leia e ouça Black Sabbath

A primeira biografia de um artista que comprei na vida foi Eu sou Ozzy, há quase onze anos. Foi um dia incrível para uma adolescente roqueira, que logo depois compareceu à sua primeira passeata em homenagem a Raul Seixas. Momentos inesquecíveis para alguém que estava apenas começando a descobrir o mundo. Mas todo dia é uma nova descoberta. E aqui estou eu, mais de uma década depois, revisitando a história dessa banda maravilhosa.

Tenho lido muito devagar nos últimos anos, e quase não termino os livros que começo. Até pensei que tinha problemas, mas a questão é que o livro deve combinar com seu momento, propósitos e tempo investido. Para o mês de aniversário do Querido Clássico e mês do rock, decidi estudar um pouco mais profundamente Black Sabbath. Dessa vez fucei outra biografia em minha biblioteca: Iron man, de Tony Iommi.

Tony e Ozzy estudaram na mesma escola, mas em turmas diferentes, em Birmingham, e nasceram de famílias operárias, muito pobres. O primeiro, filho e neto de imigrantes brasileiros e italianos; o segundo, com cinco irmãos e pais que se revezavam em turnos para dedicar-se ao trabalho em fábricas (a mãe, de dia, o pai, à noite) e também aos filhos pequenos.

Não foi muito diferente a vida dos outros dois. Geezer Butler foi vegetariano, e hoje vegano, primordialmente porque tinham muitas bocas em casa para alimentar e o dinheiro do pai era curto demais. Logo, da escassez foi moldado seu paladar e ativismo em favor dos animais - o que não o salvou de comer carne no início de carreira, quando salsichas eram o salário que a banda recebeu por um tempo. Se não comesse, não teria o que comer, simplesmente.

Bill Ward, Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler em Nova York, 1971

Ainda sobre Birmingham, é interessante estudar a história econômica dessa cidade, e em como o ferro e o metal estão ligados à vida dos integrantes muito além do heavy metal como gênero musical, visto que é o setor da indústria em que foram baseadas suas infâncias e a partir dela selados seus destinos.

Elas [as pessoas] acreditam que a perda dos meus dedos foi o que gerou um som mais profundo, mais soturno, do Black Sabbath, que, por sua vez, virou o modelo para a maior parte da música pesada criada desde então. Eu admito, dói pra caramba tocar guitarra bem nos ossos dos meus dedos decepados, e precisei reinventar meu estilo para me adaptar à dor. No processo, o Black Sabbath começou a soar como nenhuma outra banda até então - até hoje, na verdade. Mas criar o heavy metal por causa dos meus dedos? Bem, isso já é demais.

Esse é o final da introdução do livro de Iommi. Nisso já me acabei de espanto com a fala franca, direta e plena e, quando vi, passei o domingo lendo sem parar.

Tony trabalhou em fábrica de chapas de metal - entre outros empregos - até seguir a carreira de artista. No dia em que decidiu abandonar o serviço porque conseguiu uma turnê pela Europa com sua então banda The Rockin' Chevrolets, a mãe o aconselhou a trabalhar só mais um dia. Sua colega faltou e ele a cobriu, mas como era outra tarefa, não tinha o costume. Num momento de distração após o almoço, a máquina prensou sua mão direita e, no susto, ele puxou a mão. As pontas dos dedos anelar e médio ficaram, deixando seus ossos à mostra. Não deu tempo de pôr no lugar: quando um colega trouxe as pontas dos dedos numa caixinha de fósforos, já estavam pretas. Costuraram seus dedos com enxerto de pele do braço, mas Iommi, que era canhoto, teve que se adaptar. Criou pontas falsas de couro de uma jaqueta - que, pelo que entendi, ele teve por mais de quarenta anos, cortando pedaços e adaptando como dedais, mesmo tendo outras opções de prótese - e reaprendeu a tocar.

Depois do acidente e de um tempo de recuperação, foi chamado para integrar a banda de Bill Ward. Pouco tempo depois, viu um anúncio de vocalista procurando banda: era Ozzy. Iommi conhecia Ozzy, mas não tinham sido amigos na escola por conta da idade e do jeito valentão de Tony (Ozzy foi um garoto que sofria bullying). Mesmo sem certeza de que esse Ozzy era o mesmo, Iommi e Ward foram à casa do rapaz e viram que era o próprio, e que já tinha banda, e que nela estava um então guitarrista - que depois mudou para contrabaixo -, Geezer Butler. Iommi e Ward aceitaram se unir à outra dupla se fossem contratados juntos, e assim aconteceu.

Com o tempo a banda foi se reorganizando - saíram dois integrantes, amigos de Ozzy, que não estavam se encaixando bem em seus cargos. Também sofreram alteração de nomes, e até se chamaram Earth - atente-se ao final desse texto -, mas já existia conjunto homônimo e precisaram trocar mais uma vez. Butler, sempre interessado por ocultismo e terror, deu o nome Black Sabbath, inspirado pelo filme de Mario Bava - com Boris Karloff -, de 1963 (excelente, por sinal!).

Mesmo juntos, ainda aconteceu o seguinte: Iommi foi chamado para um teste para ser o novo guitarrista da já estabelecida Jethro Tull! Antes de aceitar, conversou com os amigos, que o apoiaram. Chegando lá, quase desistiu, pela quantidade de guitarristas já mais ou menos famosos e/ou com currículo expressivo tentando a mesma vaga, mas foi aconselhado a continuar. Passou, e o que aconteceria nos próximos dias aparentemente ficou marcado como ensinamento.

O cotidiano dos Tull diferia bastante do dos Sabbath. Eles possuíam um líder (Ian Anderson), que instava regras (“Esteja no estúdio para gravar às 9 em ponto”), e que “não se misturava com essa gentalha” (implicação minha, pelo amor de Deus: Anderson comia sozinho, longe do grupo; não o julgo por isso). Tudo muito diferente dos quatro garotos de Birmingham que andavam juntos, acordavam tarde, pregavam peças perigosas uns nos outros. Iommi não durou uma semana, mesmo sendo apreciado por sua competência e contribuindo com melodias para o álbum Stand up. Decidiu sair, conversou francamente com Anderson, e tudo se resolveu bem, mas só depois de ele se comprometer a participar de um evento para ele muito estranho de roqueiros famosos, o The Rolling Stones Rock and Roll Circus (1968). Ali, Iommi tocou com Tull - completamente tímido, pois era o homem de ferro exposto no picadeiro de um circo, A Song for Jeffrey.

Como toda experiência nessa vida, Iommi interpretou como aprendizado esse encontro tão inusitado entre o soturno e o espalhafatoso. Voltou ao Sabbath com determinação: "Vamos trabalhar juntos, todos os dias, às nove da manhã."

A partir daí, não demorou muito para ser lançado o tempestuoso Black Sabbath (1969), seguido pelo famigerado Paranoid (1970). Por mais que icônicos, e que eu esteja me coçando pra conversar sobre N.I.B., War pigs ou a capa maravilhosa do primeiro disco, não é de nenhum dos dois que vim falar.

O terceiro disco da banda é considerado favorito por muitos dos fãs, e precursor dos gêneros doom e stoner metal, por conta do som distorcido e três semitons abaixo da guitarra de Tony Iommi e o baixo de Geezer Butler. Trata-se de Master of reality.

Tão simples quanto potente - e talvez toda a potência de uma coisa venha justamente de sua aparente simplicidade, porque há sinceridade naquilo que é cru e bruto -, Master of reality foi gravado há cinquenta anos, lançado em 21 de julho de 1971.

Black Sabbath - Master of reality, 1971. Capa por Marcus Keef

E aqui entra novamente a questão da exploração do trabalho. Iommi não usa esse termo, mas dá a entender que algumas coisas não foram agradáveis, muito menos fáceis. Idem Butler, que numa entrevista comentou que, se pudesse aconselhar a sua versão mais jovem, mandaria ter contador e advogado. E por que isso? Porque os dois primeiros discos foram gravados em menos de uma semana (dois e quatro dias, precisamente)! Sem muita chance de regravar trechos, compor, ensaiar, etc. A banda ainda tinha que se apresentar, então era uma correria. Indústria da música, não é? Da forma que o guitarrista conta, eram jovens inexperientes dando graças a Deus por cada oportunidade que aparecia, e pelo dinheiro que entrava, que para eles parecia não ter problemas na época. Claro, eu faria o mesmo, me contentaria de gravar meu som até de graça, e eles também. Mas sabemos como é fácil cair em armadilhas se não tiver um olhar mais atento. Eles gostaram do resultado dos discos, fizeram sucesso e seguiram em frente. Foram aprendendo gradativamente a se impor nessas situações, e depois de Master, Iommi pegou mais firme nessa questão de decidir como seriam editadas as músicas, etc.

Ozzy, Tony, Geezer, Bill. Encarte de cd.

Master of reality foi gravado em dois meses, e era mais ou menos uma continuação de Paranoid, afinal, se você faz sucesso com um trabalho, o seguinte tem que ser tão bom quanto ou melhor. Mas, mesmo com um pouco de mais tempo na produção do disco, estavam na correria dos shows e tudo o mais. Então esse é um motivo para o disco durar menos de quarenta minutos. Trechos de guitarra eram acrescentados às canções para estendê-las, e Iommi fez algo que achei simplesmente sensacional: para dar o peso das canções soturnas, ele criou canções introdutórias mais leves. Até porque luz e sombra necessitam coexistir para delimitar-se uma à outra. Esse é o caso de Embryo-Children of the grave e Orchid-Lord of this world. Mesmo Solitude, que é uma balada de amor (maravilhosa), é um respiro antes do salto no precipício de Into the void. Essa técnica é explicada por Iommi como “recurso sutil e clássico”, e aqui volto a elogiar a simplicidade da coisa. Criar não necessariamente deve ser um processo grandioso e estupendo: quem muito quer nada tem, e quem pouco possui consegue tirar leite de pedra, não é? Claro que existem obras complexas que se propõem virtuosas, e também por isso são maravilhosas. A questão aqui é lembrar que não é preciso muito para ser bom. Basta ser original e fiel às suas convicções, mesmo que contrárias a um pensamento e atitude generalizados:

Acho que Geezer sentia que a música retratava algo pesado, que o conteúdo das letras tinha que tratar de algo que tivesse a ver com a música. Em toda parte, era tudo paz e amor, tudo de bom e feliz, e as pessoas não escreviam a respeito da vida real: guerras, fome e todos os outros assuntos que ninguém quer enfrentar. Percebemos isso e concluímos que deveríamos preencher essa lacuna. 
 Tony Iommi

Ozzy, Geezer, Tony e Bill em encarte do cd
Bill Ward - bateria, percussão, guizos
Geezer Butler - baixo
Ozzy Osbourne - vocal
Tony Iommi - guitarra, flauta, piano, sintetizador, violão

Com a formação original, o disco possui oito faixas, sendo duas delas instrumentais:

Sweet leaf

Como todo jovem que sai de casa e bota o pé na estrada (hoje em dia nem é preciso tanto), os Sabbath exploraram a juventude e suas possibilidades. O disco começa com uma ode àquela famosa erva, mais precisamente com Tony Iommi tossindo após se engasgar dando um trago na maconha, e a canção foi gravada com todos chapados. Nessas andanças e sem saber sobre o que compôr, a inspiração veio do maço de cigarros irlandês Sweet afton: The Sweetest Leaf You Can Buy!’.

Alright now
Won't you listen?
When I first met you, didn't realize
I can't forget you or your surprise
You introduced me to my mind
And left me wanting you and your kind
Oh, yeah!

After forever

Diferentemente do que muitos acreditaram (ou acreditam, vai saber), Black Sabbath é uma banda formada por rapazes criados católicos, especialmente o letrista Geezer Butler. Para se ter uma ideia, quando a banda passou a fazer sucesso, começou a ser perseguida tanto por religiosos fanáticos, críticos da música "do demônio", como por satanistas, que levavam a sério até demais o som e as características da banda. Fatos curiosos aconteceram, como o que tanto Ozzy como Tony relataram em suas biografias:

[...] de volta ao hotel à noite, subimos para nosso andar e lá estava uma multidão de pessoas com capas pretas e velas, sentadas no corredor dos quartos. Pensamos: "O que está acontecendo aqui? Realmente nos levam a sério demais. Que merda!". Nós pulamos por cima de todos e entramos nos quartos enquanto eles continuavam a segurar as velas e sussurrar. Ligamos uns para os outros e dissemos:

- O que vamos fazer? Vamos esperar meio minuto e ir lá fora.

Assim o fizemos. Fomos todos para o corredor, sopramos as velas e cantamos "Feliz aniversário" para aquelas pessoas. Elas ficaram revoltadas, se levantaram e foram embora.

Fora isso, um evento em particular: após se depararem com uma cruz vermelha pintada na porta do camarim de uma turnê, Tony quase foi esfaqueado por um cara escondido atrás do equipamento de som no palco. Só percebeu depois que o rapaz foi pego, e que tinha a mão cortada, sendo a pessoa que pintou a cruz com sangue. Por esse e outros motivos, como uma maldição lançada sobre eles na noite de Walpurgis, e os diversos sonhos que os quatro tinham em comum, o pai de Ozzy lhes deu cruzes de alumínio que aparentavam ser de prata. Depois até ganharam de ouro, mas Bill guardou e usa a original até hoje. Tudo isso por proteção contra esses fanáticos que aparecem de vez em quando, e que não entenderam o que é o clima pesado que a banda traz: a realidade.

Não estávamos interessados em escrever sobre as coisas "legais" do mundo, todo mundo já escrevia sobre isso. Queríamos injetar alguma realidade na música. Penso que se tivéssemos nos chamado White Sunday, teríamos tido uma reação completamente diferente!

 Geezer Butler

After forever, portanto, é uma música religiosa, que critica justamente quem busca Deus em meio a guerra e conflitos. Geezer se baseou também no conflito da Irlanda do Norte (1968-1998), com intolerância religiosa de uma maioria protestante versus uma minoria católica.

I think it was true it was people like you
That crucified Christ
I think it is sad the opinion you had
Was the only one voiced

Embryo

Como dito acima, Embryo é uma luz que contrasta com as trevas da música seguinte. Uma cançãozinha que lembra cenas medievais, e é uma das minhas favoritas do disco, por passar despercebida num plano geral. Só que é nos pequenos cálices que estão os melhores aromas. E penso aqui, agora: seria esse literalmente o embrião que gera às crianças de:

Children of the grave

Aqui eu consigo sentir nos meus pés a terra escura implodindo e, de dentro dela, saindo um monte de mãozinhas desesperadas. Amo muito a ambientação das músicas do Sabbath, de coração. Aqui, as crianças que esses tantos pais conservadores, certinhos, de bem, anti-tudo-aquilo-que-há-de-ruim criaram com tanto amor, são levadas por eles mesmos, em seus altos cargos públicos e políticos, para lutar em guerras suicidas contra falsos inimigos pelo mundo afora. Acho que os jovens mais óbvios que podemos pensar aqui são aqueles que lutaram no Vietnã, ou que se recusaram a ir, enfim. Mas infelizmente essa não foi a única guerra, e pipocam conflitos ainda nos quatro cantos do mundo. Como dizemos que as crianças são o futuro da nação, se as transformamos em máquinas de guerra, seja ela no Oriente Médio ou nas polícias-milícias em favelas de Rio e São Paulo? Eu amo como Sabbath aponta coisas bonitas com brutalidade: mostre amor ao mundo, ou suas crianças de hoje serão crianças na cova. Pei!

So you children of the world
Listen to what I say
If you want a better place to live in
Spread the word today
Show the world that love is still alive
You must be brave
Or you children of today
Are children of the grave, yeah!

Orchid

Ainda na ideia de embriões e crianças - mortas ou vivas -, orquídeas simbolicamente representam fertilidade, embora não tenha visto Tony tocar no assunto. O fato é que é outra pequena-grande canção num formato que adoro: dedilhada. Me traz esperança e mostra a ternura desse guitarrista-pugilista que é Iommi.

Lord of this world

O pai da matéria (e do rock, segundo Raulzito) é o Diabo. E diz Geezer que já o viu, depois de transformar seu quarto numa caverna escura cheia de cruzes invertidas. Na hora, a figura vestida de preto veio como que para questionar: "E aí, tá comigo mesmo? Se não, cai fora." Virou caso de médico e pais desesperados. Não foi o único caso sobrenatural que os integrantes revelam, mas certamente um digno de filme com Vincent Price. Voltando à matéria, diversos simbolismos e textos colocam o Diabo como o pai da matéria. Deus está para os céus como o Diabo está para este mundo material, por isso Lord of this world. Gosto de pensar na aposta entre Deus e o Diabo em Fausto, que é divertidíssima, além da alma usurpada, um clássico.

Your world was made for you by someone above
But you choose evil ways instead of love
You made me master of the world where you exist
The soul I took from you was not even missed, yeah!

Solitude

Considerada por Iommi a primeira canção de amor gravada pela banda, ela também herdou em sua composição a influência que Anderson teve nele. Isso porque Tony comprou uma flauta e tocou! Fora essa curiosidade, a música cumpre o que promete: você sente uma dor no peito tão grande, que só quer deitar numa cama e se esconder, resmungando baixinho. Ou, se você for como eu, vai se sentir numa cidade vazia de gente, com vento gelado soprando no peito, um vácuo e um silêncio às quatro da manhã, e a sensação de uma gélida eternidade. Não sei o porquê, mas isso significa liberdade para mim. Se é uma canção de amor, é amor pelo sentir, pela possibilidade do despropósito, não sei. Tira um peso danado das costas.

                                       My name it means nothing, my fortune is less
My future is shrouded in dark wilderness
Sunshine is far away, clouds linger on
Everything I possessed, now, they are gone
They are gone, they are gone...

Into the void

A queridinha de muitos fãs, entre eles James Hetfield, do Metallica, e Eddie Van Halen, do Van Halen, Into the void é um trava-línguas para Ozzy e deu trabalho para Bill Ward. No fim, ambos conseguiram a proeza de gravá-la, e ela é um dos motivos de doom e stoner existirem. Distópica, pero no mucho, fala já do homem destruindo a natureza, e pode ser pensada em relação à corrida espacial, em voga há cinquenta anos. A música vai de uma narrativa apocalíptica para uma nova gênese, o sonho de um novo mundo sem tanta crueldade, deixada para trás junto a Satã neste planeta que habitamos e colaboramos diariamente para sua destruição.

Leave the earth to Satan and his slaves
Leave them to their future in their grave
Make a home where love is there to stay
Peace and happiness in every day

Tenho dito muitas coisas relacionadas aos elementos nos discos que escolhi. E, tecnicamente, foi por acaso (para quem acredita em sincronicidade - eu acredito! -, essa é a palavra). Passei pelo ar de Genesis, o fogo de Tull, e agora a terra de Sabbath, que está na guitarra e baixo crus e dissonantes, no efeito de terra tremendo e chão se abrindo em Children of the grave, nos semitons abaixo que Iommi e Butler afinaram seus instrumentos, na sensação de vazio que emana da escura e simples capa (direta e reta - amo), no doom e stoner metal que vieram depois, no materialismo histórico que pode muito bem estudar toda a pobreza em que viveram esses meninos em Birmingham… mas o que os fazem terrenos, pesados, concretos, reais, é essa gana de apontar com força, dureza e peso os tantos problemas sociais que enfrentaram eles e enfrentamos nós. Justamente isso é que os torna mestres da realidade.

De Earth a Black Sabbath

Referências

  • IOMMI, Tony. Iron man: minha jornada com o Black Sabbath. São Paulo: Planeta, 2013.
  • OSBOURNE, Ozzy. Eu sou Ozzy. São Paulo: Benvirá, 2010. 
  • Geezer Butler Discusses Veganism, Religion, Politics, Surveillance, and Life Lessons, por Bryan Reesman.
  • Monday Rock City: The Gospel according to Black Sabbath - a conversation with Geezer Butler, por Jamie Blaine.




Texto: Helen Araújo 
Arte em destaque: Mia Sodré 
Helen Araújo
Filha de paraibanos nascida en São Paulo em 1992. Historiadora e artesã com espírito setentista, escreve sobre tudo, especialmente música, símbolos, mitos e migrações. Quando não escreve no Querido Clássico e Um Velho Mundo, fabrica onde escrever: cadernos no Estúdio São Jerônimo.

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