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50 anos de horror: O Abominável Dr. Phibes


Vincent Price é um dos meus atores preferidos da vida, tanto que um dos meus gatos leva seu nome. A primeira vez que o vi num filme foi em Edward Mãos de Tesoura, do Tim Burton, clássico da minha infância. Só fui reconhecê-lo como um dos mestres do horror alguns anos depois, quando vi A Queda da Casa de Usher no canal Retrô. Estávamos no final dos anos 90, eu não tinha computador em casa, então demorei para ver outros filmes dele. 

Com o advento da banda larga e algumas horas passadas no IMDb, finalmente consegui ter contato com a maioria de seus filmes (alguns estou guardando para ver aos poucos) e O Abominável Dr. Phibes foi um deles. Aproveitando que este filme completa 50 anos em 2021, eu o revi para escrever algumas palavras aqui no Querido Clássico.


Há sempre aquele medo de rever um filme querido e se decepcionar. Recentemente estou revendo vários da Agnès Varda e outros de terror, e felizmente ainda não houve decepção. E no caso do Dr. Phibes, foi a mesma coisa, gostei ainda mais. 

O filme carrega um quê dos longas do Dario Argento e também do Ingmar Bergman, as cores vermelha e roxa são gritantes. Na primeira cena, temos um misterioso homem vestido de preto tocando órgão, num cenário gótico, enquanto uma mulher lindamente vestida e maquiada o observa. Juntos eles partem na noite. 

Na manhã seguinte descobrimos que um médico foi atacado durante a noite por milhares de morcegos. Os policiais não conseguem entender o porquê daquilo, mas logo relacionam o caso a outros igualmente misteriosos. Médicos estão sendo atacados de uma forma incomum, e os detetives precisam descobrir o porquê. 

Numa das cenas do crime, eles encontram um pingente deixado pela vítima. Ela é levada a um especialista, que diz ser o símbolo de uma das dez pragas do Egito. Ao estudar o assunto, um dos detetives liga as peças, agora precisa encontrar o assassino. 

Vincent Price quase não fala no filme. Seu personagem, Dr. Phibes, sofreu um acidente no passado que os desfigurou e só consegue se comunicar através de um buraco em seu pescoço e um amplificador. Sua assistente Vulnavia também pouco fala, em silêncio completo eles cometem os crimes. 

Logo descobrimos que seu acidente aconteceu logo após a morte de sua esposa. Phibes culpa os médicos e está se vingando de todos que estiveram ao redor de sua maca e não a ajudaram.  

Para mim esse filme é um retrato perfeito do cinema dos anos 1970. Como comentei acima, as cores características do gênero estão ali, a maquiagem muito bem feita (pensando na época) e a dor que leva um homem a cometer assassinatos. Não é a toa que Vicent Price é considerado um dos maiores atores de todos os tempos, ele conseguiu como ninguém unir o drama ao terror, sem cair na pieguice. 




Texto: Michelle Henriques 
Arte em destaque: Mia Sodré 
Michelle Henriques
Formada em Letras, é analista de marketing editorial. É também coordenadora e mediadora do Leia Mulheres. Escreve sobre cinema no site Cine Varda e tem um canal de terror chamado The Witching Hour. Pesquisa sobre cinema e literatura de terror. Mora em São Paulo com seus dois gatos.

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