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Frank-N-Furter: Dioniso em The Rocky Horror Picture Show

Os gregos já fizeram tudo antes — poderíamos facilmente dizer isso e não estaríamos errados; ao menos, não muito. Ao olharmos para a cultura, encontramos a Grécia antiga presente em diversos aspectos. De tudo eles falaram: amor, morte, terror, luto, desejo — as emoções humanas e divinas estão em cada peça, poema e arte grega clássica. Não é à toa, portanto, que nossos maiores clássicos bebam, por vezes, da memória grega.

É o caso de The Rocky Horror Picture Show, lançado em 1975. O filme é baseado numa peça musical, The Rocky Horror Show, de 1973, escrita por Richard O’Brien (sim, o Riff Raff; inclusive, muitos atores da peça foram escalados no filme, como Tim Curry, nosso querido Frank-N-Furter). Curiosamente, embora não tenha sido um sucesso em seu lançamento, o filme tornou-se cult no sentido mais estrito da palavra: seus fãs formam, de fato, uma multidão que pode ser lida de acordo com os preceitos de um culto — em muitos lugares, eles reúnem-se à meia-noite para assistir à obra juntos, vestidos de acordo com os personagens (ou com a temática de liberação sexual da história), interagindo com a narrativa ao cantarem e dançarem conforme o musical. Há uma espécie de liberação dos sentidos que funciona de maneira catártica, para além de divertida, nas sessões da meia-noite de TRHPS. O filme, marco do cinema queer dos anos 1970, uma época especialmente violenta em seu país de origem, os Estados Unidos, inspirou e inspira a várias pessoas para que possam viver suas verdades e explorar suas sexualidades da maneira que melhor lhes convier. Não raro, ouvem-se testemunhos de como TRHPS atuou como uma espécie de catalisador das potencialidades sexuais latentes durante os anos de formação de seus espectadores. E isto não é à toa: na própria narrativa fílmica, jovens são levados a despertar sua sexualidade latente ao depararem-se com o estranho castelo de Dr. Furter.

Ao terem problemas com o pneu de seu carro, numa noite particularmente chuvosa, Brad e Janet caminham alguns quilômetros em busca de um castelo no meio do nada, pelo qual haviam passado pouco antes do incidente. A ideia é utilizar o telefone do local para chamar um mecânico e, num objetivo muito nobre, partir novamente para encontrar o antigo professor deles, em cuja sala eles se apaixonaram, para que o mestre compareça ao casamento do casal, recém-noivos. Todavia ao entrarem no castelo, recepcionados por um curioso Riff Raff, Brad e Janet deparam-se com um local insólito, repleto de pessoas que agem com o que, a princípio, Brad identifica como “costumes estrangeiros”, mas que carregam uma atmosfera de loucura e liberdade com a qual eles não estão acostumados. A estranheza do infamiliar freudiano logo se estabelece como norma. Um castelo, afinal de contas, por mais misterioso que fosse, sempre foi narrativamente um espaço solene, onde as regras de conduta costumam ser socialmente mais rígidas do que as de casas normais. O castelo de TRHPS, todavia, subverte a cada uma das expectativas de Brad e Janet.

Mais subversivo ainda é seu mestre. Após um número musical com uma dança coletiva particularmente repleta de insinuações sexuais, Frank-N-Furter aparece. Sua figura alta e imponente, sua capa aristocrática e suas maneiras livres mostram claramente que ele é o detentor do poder ali. Todos param e lhe olham, especialmente o casal visitante, que se vê aturdido por aquela pessoa tão contrastante — o mestre, com forte maquiagem no rosto, logo tira sua capa e mostra pernas bem torneadas numa meia-arrastão, salto alto e um corset ajustado, que não deixa muito para a imaginação, mas certamente estimula os sentidos.

The Rocky Horror Picture Show (1975)

Conforme o andar do filme, descobrimos que Frank-N-Furter é um alienígena do planeta Transexual, na galáxia Transylvania. Em sua música de abertura, ele diz que é “apenas um doce travesti de Transexual, Transylvania”, já deixando claro que, além de não ser dali, não faz parte da norma padrão a qual Brad e Janet estão acostumados. Não demora para que tanto o casal quanto nós, os espectadores, descubramos que Frank-N-Furter é alguém muito voluntarioso — sua vontade reina suprema e quem ousa desafiá-lo enfrenta consequências extremas. As punições de Dr. Furter são dadas, especialmente, por deslealdade, algo inadmissível para ele. Quando esta ocorre, ele transforma as pessoas em estátuas e as coloca sob uma espécie de delírio sensual do qual, ainda que escapem, jamais se recuperarão plenamente. Ser tocado por Frank-N-Furter — metafórica e literalmente — é ser transformado para sempre. Ao seduzir quem aparece em seu caminho, ele mostra a cada um seus próprios desejos reprimidos, libertando, sem pudores, os aspectos mais selvagens e sexuais das pessoas à sua volta. Nós não precisamos seguir muito com esta listagem das particularidades de Frank-N-Furter para perceber nele semelhanças com Dioniso, o deus grego, e, em especial, com As bacantes, peça de Eurípides que relata a chegada do deus à Tebas.

Dioniso é o deus do êxtase. Muito associado a celebrações e ao vinho, é comum que alguns aspectos importantes de seu ser sejam esquecidos — ele não é apenas celebração, mas a completa entrega aos sentidos. E estes sentidos podem ser tão prazerosos quanto trágicos. O que decide se serão um ou outro — ou mesmo ambos — é a maneira com a qual se lida com o inesperado, a maneira com a qual se está disposto a entregar-se ao deus e dele ser receptáculo, tanto externo quanto interno, sem enlouquecer. Negar Dioniso — e negar seus próprios desejos em prol de uma moralidade social estagnada — é dar um passo em direção ao castigo divino, castigo este cuja condução leva diretamente ao enlouquecimento, também um reino dionisíaco.

“Dioniso não impõe moderação
à mulher, frente à Cípris; na natura
o moderar-se em tudo está presente.
Deves considerar que em bacanais
não se corrompe quem é moderada.”

(As bacantes de Eurípides — tradução de Trajano Vieira)

São muitas as representações de Dioniso. Deus intimamente ligado a ritos sexuais, não é difícil entender por que, através dos tempos, ele é tão lembrado — o ser humano, afinal de contas, está sempre em busca de seu lado dionisíaco, seja para reprimi-lo ou libertá-lo. Mesmo a repressão é uma representação daquilo que nos é mais forte — afinal, por que reprimir o que não nos perturba? Por que calar o que não nos faz sentir embaraço?

As bacantes tem sua publicação datada em 405 a.C. De Eurípides, seu autor, pouco se sabe — como muito do que temos da Grécia antiga, histórias e biografias, por vezes, foram perdidas, e é provável que jamais saibamos ao certo tudo de que gostaríamos acerca dos autores que lemos e relemos há milênios. De qualquer forma, é sabido que Eurípides escreveu As bacantes no final de sua vida, na Macedônia, e que a peça, ao que tudo indica, é póstuma, tendo sido representada apenas após a morte do autor.

Em As bacantes, o coro nos apresenta a Dioniso, deus filho de Sêmele, uma mortal, e Zeus, considerado deus — e não semideus — por sua gestação ter sido concluída na coxa de seu pai, que enxertou ali o feto após o corpo de sua mãe ter sido carbonizado. Na peça, nos é contada brevemente a tragédia de Sêmele — e como Dioniso, já crescido, vai à cidade de sua mãe, Tebas, para acertar contas com sua família terrena, que trata a memória de sua mãe com desprezo, não acreditando na origem divina da criança concebida, ou mesmo na própria divindade — e, como divindade, digna de culto — de Dioniso.

Dioniso (370 a.C.)

A vingança de Dioniso contra sua família envolve muitas coisas, inclusive sua aparição na corte de Penteu, seu tio e rei de Tebas, que não o reconhece. O que Penteu sabe, e de que não gosta, é que Dioniso enfeitiçou todas as mulheres de Tebas, que agora subiram o monte para prestar-lhe culto, um culto repleto de sexualidade e delírio. Tornando-se bacantes, as seguidoras de Baco (um dos nomes de Dioniso), elas simplesmente desapareceram de suas casas e abraçaram o lado selvagem de cada uma, dançando, cantando e vivendo na natureza. Tais atos causam revolta em Penteu, que exige a prisão de Dioniso, negando sua divindade. A presunção de Penteu é a causa de sua ruína, que será terrível — envolvendo desmembramento, não antes de ele mesmo vivenciar o lado andrógino que tanto nega em si mesmo, é claro.

Para além de As bacantes, Dioniso figura em diversas histórias da Antiguidade. De tragédias, passando pelos Hinos homéricos até o que chegou a nós como mitos, a presença do deus do vinho perpassa a história para nos encontrar onde quer que estejamos. E a maneira pela qual ele faz isso é múltipla. Sendo ele, também, um deus de muitas formas, nada mais natural que mudar de receptáculo de quando em vez — mostrando-se, muitas vezes, através de personagens que carregam consigo seus princípios.

Em The Rocky Horror Picture Show, podemos perceber a influência da Antiguidade clássica presente desde a abertura, que começa com uma tela preta em cujo centro aparece uma boca, usando batom vermelho, que canta “Science picture, double feature”, música que narra tanto os eventos que assistiremos a seguir quanto as inspirações cinematográficas deles. Aqueles familiarizados com a leitura de tragédias gregas não tardarão a perceber a semelhança entre a boca que nos canta os eventos de TRHPS e o coro das peças gregas, coro este composto por personagens fora dos eventos, que nos narram o que ali acontecerá, especialmente nos bastidores, instigando o público e completando lacunas. Em seguida, são apresentados os nomes dos atores juntamente de seus personagens e, entre parênteses, suas funções na história. Aqui, é interessante chamar atenção para a descrição de seus personagens, explicada logo de início, numa estrutura de peça — o que faz sentido, já que o filme é uma adaptação de uma peça de teatro. E o teatro, como sabemos, é campo dionisíaco, dele, que é o deus das manifestações teatrais.

As alusões à Grécia antiga seguem conforme o filme avança. No gabinete do criminologista, nosso narrador da aventura de Brad e Janet, encontramos a estátua de um cisne — e aqui é preciso lembrar que o cisne possui um significado interessante na mitologia grega. Em Mitologia grega II, Junito de Souza Brandão diz que:

“Para Bachelard, ‘a imagem do cisne é hermafrodito. O cisne é feminino na contemplação das águas luminosas e é masculino na ação. Para o inconsciente, a ação é um ato’. A imagem do cisne, torna-se, então, para Bachelard como a do Desejo, que busca a fusão das duas polaridades do mundo, manifestadas em suas duas luminárias, o sol e a lua. Pode-se, destarte, interpretar o canto do cisne como as palavras quentes e eloqüentes do amante, antes daquele momento tão fatal à exaltação que é verdadeiramente a morte amorosa. O cisne morre cantando e canta morrendo, convertendo-se, de fato, no símbolo do desejo primeiro, que é o desejo sexual.”

Se olharmos para a figura do cisne no gabinete do detetive sem pensarmos na mitologia, será fácil concluirmos que a estátua ali está deslocada no ambiente. Todavia ao pensarmos no que tal imagem significa, já teremos um indício do que encontraremos na história que o criminologista está a nos contar: o despertar sexual de dois jovens que, reprimindo seus impulsos por tantos anos, se perceberam finalmente entregues a uma descoberta sexual que não se importa com a questão de gênero, englobando o desejo por ele mesmo, sem rótulos.

E essa questão do rótulo no sentido de atração sexual é ponto-chave em The Rocky Horror Picture Show. Assim como Dioniso leva Penteu a realizar seu desejo reprimido e vestir-se de mulher, na justificativa de espionar as bacantes em seu rituais, Frank-N-Furter, em suas magias dionisíacas, disfarça-se ele mesmo ora de Janet, ora de Brad, levando cada qual para a cama. Mais tarde, consumado o desejo e despertos os prazeres, inicia-se o show — o teatro de Frank-N-Furter —, com suas novas bacantes vestidas de acordo, inclusive o viril Brad, que mostra belas pernas em meia-calça, um corset modelando o corpo e uma maquiagem perfeita no rosto, em transe báquico.

Quando olhamos para o nascimento do segundo Dioniso, percebemos ali que ele nasceu da coxa de seu pai, Zeus. Ora, se Atena, a deusa da sabedoria, nasceu da cabeça de Zeus, o nascimento de Dioniso, numa parte mais erótica da anatomia, já prenuncia sua característica sedutora e contra repressões do desejo. Além disso, também há uma faceta andrógina em Dioniso — ele é um deus que, muitas vezes, aparece com vestes de mulher; suas seguidoras são majoritariamente mulheres; ele não tem problema algum com a não binariedade, pelo contrário, afinal, desde o nascimento foi dado à luz por Zeus, seu pai, figura masculina que ali cumpriu sua função no parto. 

Voltando um pouco ao início do filme, assim que Brad e Janet chegam à mansão de Frank-N-Furter, uma das primeiras coisas que nos são mostradas é uma estátua gigantesca de um leopardo lutando contra uma serpente. O leopardo é um dos símbolos de Dioniso, assim como a serpente. Existem algumas representações de serpentes na mitologia grega, e encontramos uma delas profundamente associada a Baco — outra, famosamente associada a Apolo, sendo ela Píton, a serpente que ele derrotou, tornando-se Senhor do Oráculo de Delfos, sendo suas sacerdotisas chamadas, a partir de então, de pitonisas. Podemos, assim, interpretar a estátua presente na sala como um símbolo de que ali se estava adentrando o reino dionisíaco, reino no qual a razão e o comedimento, representados por Apolo, não prevaleceriam. É um aviso para nós e para os jovens incautos que ali haviam chegado.

Após quase 50 anos de seu lançamento, o filme continua sendo exibido em sessões da meia-noite, nas quais os participantes não apenas o assistem, como também participam das cenas, interagindo com a tela, as músicas, as falas, e utilizando vestes apropriadas. Para a comunidade LGBTQ+, TRHPS é um símbolo de liberdade sexual. Com o passar do tempo, o filme tornou-se um clássico cult, palavra que pode ser lida de duas formas diferentes. Em “Postmodern Gay Dionysus”, é dito que “Espero que esteja claro agora que estou usando a palavra ‘culto’ não no sentido da mídia, mas sim em seu sentido clássico, a celebração de ritos místicos referentes a um ser divino ou seres divinos e ao próprio conhecimento sagrado. Em outras palavras, The Rocky Horror Picture Show não é centrado em uma simples diva ou duas, mas sim no próprio divino”. E existem poucas coisas mais divinas do que a entrega sexual. Como canta Hozier em Take me to church: “Sem mestres ou reis quando o ritual começa”. Ele não foi o primeiro e, assim esperamos, não será o único na nossa geração a ver o sagrado presente no ato sexual. E esse sagrado, quando reprimido, causa consequências que podem levar a impulsos violentos. Se encontramos, no filme, tanta violência, ela existe também por ser uma reação a um mundo que não aceita o culto dionisíaco — culto que não admite segredos e meias-verdades.

Além disso, é preciso ressaltar o elemento musical presente no filme. Todos os grandes atos vêm acompanhados de uma música — e, muitas vezes, de dança. Os membros do culto de Frank-N-Furter parecem compelidos a dançarem ao seu ritmo, literalmente. Em As bacantes, os cidadãos de Tebas são punidos por ignorarem Dioniso, zombarem de sua mãe e dele e não lhe prestarem culto. Uma das punições principais é justamente o transe dionisíaco, que incorpora as danças das mênades. No último ato de TRHPS, algo semelhante acontece: Frank-N-Furter, após usar o raio Medusa (outra óbvia referência à Antiguidade clássica) para tornar aqueles que se voltaram contra ele em pedra, os “des-medusa”, e, colocando-os sob uma espécie de transe, os leva ao palco, no qual todos dançam e interpretam seu próprio musical, em que ele é a estrela digna de culto e admiração. É interessante lembrar aqui que embora Apolo seja o deus da música, Dioniso também possui suas manifestações musicais, mas em outro tipo de música, com cantos altos, danças e êxtase sexual. Quem entra no transe está, ao menos tempo, libertando-se e sendo costurado ao próprio mito dionisíaco, tornando-se parte do deus, que neles entrelaça-se profundamente, a ponto de, uma vez terminado o transe, o efeito permanecer: aqueles que veem o divino em Dioniso jamais voltam a ser os mesmos. Brad e Janet tampouco retornam a seu estado normal do início da história, mesmo após seu Dioniso contemporâneo ter sido morto e dele restar apenas lembranças. Na introdução de As bacantes de Eurípides, Trajano Vieira diz que:

“Segundo o deus, é o próprio som da flauta (lotos) sagrada que ‘freme jogos sagrados’ (hierá paígmata breme). A questão não diz respeito propriamente ao timbre musical, mas ao papel da música no âmbito ritualístico, pois é ela que configura uma modalidade particular de culto – dionisíaco –, entendido como ‘jogo’. O verbo empregado no período é bremein (’fremir’), da mesma raiz de uma das principais designações de Dioniso, Brômio (’Rumor’). O som da flauta sagrada é, de certo modo, o próprio deus”



Numa das músicas de The Rocky Horror Picture Show, é cantado, em chamado báquico:

“Give yourself over to absolute pleasure
Swim the warm waters of sins of the flesh
Erotic nightmares beyond any measure
And sensual daydreams to treasure forever
Can't you just see it?

Don't dream it - be it”

O caráter de culto de The Rocky Horror Picture Show é dionisíaco. Muitas foram as liberdades que o filme ajudou a pavimentar, especialmente para a comunidade LGBTQ+. O próprio fato de Frank-N-Furter ser alguém para além da definição de gênero — tal qual o próprio Dioniso — já nos mostra um reino no qual as palavras limitadoras acerca de expressão individual e sexualidade não têm a menor importância. O reino dionisíaco trata-se da essência e dos sentidos, não dos rótulos.

De tempos em tempos, Dioniso ressurge na sociedade, libertando as pessoas de seus medos do prazer e do êxtase. Ele reaparece especialmente em tempos turbulentos, tempos de terror e medo, tempos de conservadorismo e preconceito. Dioniso é a entrega aos sentidos, o contato com a natureza — não apenas se maneira sexual, mas, também, aceitando que somos nós, afinal de contas, tão parte da natureza quanto o mundo ao nosso redor. E aceitar essa natureza indômita é necessário para sobreviver, talvez não em estado de completa sanidade, mas certamente com mais equilíbrio do que a repressão social nos dita.

Referências 

Mia Sodré
Jornalista e pessoa da internet há uma década. Editora e analista literária, quando não está lendo escreve sobre clássicos e sobre mulheres na história. Vive em Porto Alegre, onde está há vinte e poucos anos ajudando na entropia do universo.

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