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5 curiosidades bizarras sobre a Era Vitoriana


O período vitoriano se estendeu por sessenta e quatro anos na Inglaterra. Alexandrina Victoria Regina, ou apenas Rainha Vitória, reinou de 1837 a 1901, herdando a posição por um infortúnio. Após a morte de seu tio, Rei William IV, ela se tornou a única descendente na sucessão do trono, assumindo o cargo aos 18 anos. Se casou aos 21, com seu primo, o príncipe alemão Albert de Saxe-Coburg-Gotha, que infelizmente deixou Vitória e mais nove filhos com apenas 42 anos. A dor da rainha pela morte de seu amado reverberou em todo o país e Vitória permaneceu de luto por quarenta anos, até o último dia de sua vida. Esse acontecimento foi um marco na vida pessoal da rainha, e também em toda a sociedade da época.

A Era Vitoriana foi o apogeu da cultura, um período repleto de transformações e uma era de ouro para a arte, a literatura e a música, mas também um período marcado pela miséria, pelas doenças, pela insanidade e adoração à morte. O horror estava presente em todos os lugares, e os monstros permeavam tanto as páginas dos folhetins quanto as ruas mais escuras da cidade de Londres.

O Rio Tâmisa e o desmembramento de corpos


No verão de 1858, o rio passou por um período conhecido como o Grande Fedor. O calor, junto com as toneladas de dejetos despejadas diariamente no Tâmisa, e também a grande sujeira das ruas, fizeram com que o cheiro fosse insuportável. Além do incômodo no ar, a poluição fez com que várias doenças se espalhassem, matando a população por cólera, febre tifoide e disenteria, isto porque o rio também era a principal fonte de água potável da cidade. O cenário mudou apenas quando o governo decidiu intervir e implementar um sistema de esgoto mais eficaz.

Construção de sistema de esgoto (1862)

Infelizmente, o lixo e excrementos não eram o único problema. Em 1887, partes de um corpo foram encontradas no rio, e o episódio, que parecia ter sido apenas um caso isolado, se tornou recorrente. Logo encontrar partes humanas boiando nas águas do Tâmisa se tornaria algo quase comum na vida dos moradores da região. Embora o autor das mortes nunca tenha sido pego, Jack, o Estripador era um dos grandes suspeitos, pois seus crimes estavam em alta na época. Um dos casos mais chocantes aconteceu com uma prostituta chamada Elizabeth Jackson, que foi brutalmente assassinada enquanto estava grávida de sete meses. O bebê foi arrancado de seu ventre e jogado na Tâmisa, junto com seu corpo em pedaços.

Ilustração de The Punch (1858)

Mais de um século depois, outro episódio parecido chamou a atenção da mídia. Em 21 de setembro de 2001, o torso de um garoto africano chamado Adam foi achado flutuando no rio após ter os braços, pernas e cabeça cuidadosamente cortados. Segundo as investigações, o assassinato foi motivado por um ritual e a causa da morte teria sido por um corte na garganta. De acordo com as condições do corpo, o menino teria ficado na água por dez dias até ser encontrado. Seus membros nunca foram vistos, e embora os envolvidos com o caso tenham sido presos, o assassino não foi descoberto, mesmo vinte anos após o crime.

Vestidos que matam


Os vestidos usados na Era Vitoriana, embora lindos, não eram nada práticos. Não é à toa que as mulheres lutaram anos para se livrar da imposição das vestimentas. A crinolina, que teve seu ápice entre 1850 e 1870, era o grande terror da época. A peça se tratava de uma armação usada por baixo dos vestidos para dar sustentação e volume. Essa espécie de gaiola era feita de crina de cavalo e linho, sustentada por ​​arcos feitos de aço e ossos.


Além de tornar atividades simples do dia a dia um grande desafio, como por exemplo praticar esportes, a crinolina frequentemente deixava as mulheres presas entre as portas. O volume transformava a caminhada pelas ruas de Londres mais difícil também, pois devido a sujeira da cidade, os vestidos voltavam literalmente cheios de lixo. Mas o pior acontecia quando as saias gigantescas, que continham propriedades altamente inflamáveis, pegavam fogo ao tocar nas velas. Segundo a Mashable, em dez anos, cerca de 3.000 mulheres teriam morrido queimadas na Inglaterra. Felizmente, a moda durou apenas até 1860.

Além da dificuldade de deslocamento e alto risco de queimaduras, os vestidos ainda podiam ser venenosos, isso porque os vitorianos eram obcecados por uma substância chamada arsênico. No final de 1770, o químico sueco Carl Wilhelm Scheele descobriu a pigmentação verde com uma receita que continha essa substância venenosa e potássio. Como a tonalidade era muito difícil de se fazer, a mistura virou uma febre, e mesmo com todos os riscos, logo o arsênico estava diariamente presente em toda a cidade, fosse nos vestidos, nos papéis de parede, nas pílulas e até na comida. E assim a saúde da população foi sendo comprometida ao longo dos anos.

Vestido com arsênico

A beleza e a obsessāo pela palidez


Assim como toda época, o Era Vitoriana também tinha seu padrão estético. No século XIX, a beleza era caracterizada por uma pele branca, lábios vermelhos e pequenos, bochechas coradas, olhos grandes, corpos magros e cabelos imensamente longos, que podiam chegar a mais de 1 metro de comprimento. As mulheres eram capazes de tudo para manter essa aparência, tudo mesmo! Um hábito muito comum era pingar uma substância chamada beladona, originada de uma planta venenosa, ou então limão e laranja nos olhos para fazer as pupilas se dilatarem e chamar mais a atenção dos cavalheiros. O problema é que essas práticas, quando usadas a longo prazo, resultam em cegueira.


Já os cabelos eram lavados quinzenalmente ou uma vez ao mês, pois os penteados eram elaborados e trabalhosos demais para serem refeitos todos os dias. A maquiagem usada pelas mulheres era quase um teste de resistência. O pó também continha arsênico, assim como quase todos os cosméticos da época, cuja principal função era clarear a pele.


Outro método para atingir a tão sonhada palidez, era fazer um corte no próprio corpo e deixá-lo sangrar por um tempo. Essa obsessão pela aparência doente era, na verdade, um indicador social, pois apenas os pobres trabalhadores ficavam bronzeados quando eram expostos ao sol por muitas horas de trabalho. Então, quanto mais branca a pele, maior era sua posição social.

Fotos post-mortem


A Rainha Vitória, assim como todo monarca, teve grande influência nos hábitos de seu povo. Um dos maiores, além de sua grande influência em eternizar o preto como a cor do luto, foi o ato de fotografar os mortos. A rainha iniciou essa tradição ao pedir uma sessão de fotos de seu falecido marido Albert.

A partir daí, surgiu o costume de famílias ricas contratarem um fotógrafo para fazer uma última recordação do morto. Nas sessões, a família se reunia e os falecidos eram apoiados em estruturas de madeira e fotografados junto com os entes queridos. Às vezes, os olhos eram pintados nas pálpebras para que parecessem vivos e as crianças e bebês geralmente eram colocados deitados, como se estivessem apenas em um sono tranquilo.


Por trás desta macabra tradição, estava a alta taxa de mortalidade infantil do século XIX, que chegava a 50% antes dos 5 anos de idade. Essas fotografias, muitas vezes, eram a única lembrança que as famílias teriam de seus filhos e parentes. Para os pobres, a alternativa mais viável era contratar um desenhista para eternizar aquele momento único.

A medicina e o roubo de cadáveres


A ideia de precisar de uma cirurgia na Era Vitoriana era aterrorizante. Como a medicina não era avançada na época, os procedimentos não tinham anestesia e os pacientes recebiam, no máximo, uma aplicação de clorofórmio. Quando alguém tinha uma hemorragia, por exemplo, os médicos usavam ferro quente para estancar o sangue, o que geralmente era assistido por uma plateia de estudantes de medicina que tomavam notas de todos os procedimentos. Além disso, os hospitais eram altamente sujos, aumentando consideravelmente as chances de contaminação, assim como os uniformes dos médicos, que estavam sempre ensanguentados pois, aparentemente, isso mostrava todo o conhecimento do profissional nas cirurgias.

Conforme o estudo do corpo humano aumentava, a violação de túmulos e roubo de cadáveres virou um hábito. Como os únicos corpos disponibilizados para dissecação vinham de condenados à pena de morte, em pouco tempo não havia corpos o suficiente para o número de estudantes. Foi então que as pessoas começaram a se deparar com as covas vazias nos cemitérios, o que espalhou o caos entre os vitorianos. Como roubar cadáveres não era considerado crime na época, a prática virou uma profissão, então quadrilhas organizadas entravam em cemitérios durante a noite e violavam os túmulos daqueles que tinham acabado de ser enterrados. Por isso, não era incomum avistar guardas protegendo as covas ao anoitecer.


Até mesmo o famoso Victor Frankenstein, personagem de Mary Shelley, se tornou um desses ladrões quando precisou juntar várias partes humanas para criar seu monstro (e embora ele não seja parte da Era Vitoriana, cabe aqui uma menção honrosa a ele): 

"Quem seria capaz de imaginar os horrores de minha empresa secreta, profanando sepulturas úmidas, torturando animais vivos, só para animar o barro sem vida? [...] Recolhi ossos em necrotérios, perturbei com dedos profanos os segredos tremendos do corpo humano."

Referências

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