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De Louisa May Alcott a Sylvia Plath: os clássicos favoritos de Patti Smith


Patti Smith é uma mulher, acima de tudo, da arte. Além de ser aclamada pelo seu trabalho como musicista, ela também se destaca como uma das escritoras de não ficção mais importantes da atualidade. Seu amor pela escrita, entretanto, não teria sido desenvolvido sem que nutrisse, antes, uma paixão voraz pela leitura.  

“Não há nada mais lindo do que um livro – o papel, a fonte, a capa. Por favor, não importa o quanto avançamos tecnologicamente, nunca abandonem o livro. Não há nada mais especial no mundo material do que ele.”

(Trecho de seu discurso de vitória no National Book Award 2010)

Desde a infância, a “poeta punk”, como é chamada no meio literário, possui uma relação íntima com as palavras – herança deixada de bom grado pela sua mãe, Beverly, considerada uma excelente contadora de histórias pela filha. De acordo com Patti, foi Jo March, a protagonista inesquecível de Louisa May Alcott em Mulherzinhas, que plantou a semente da literatura em seu coração e a motivou a seguir carreira na área. Como contou em entrevista para o site Open Culture, a personagem “me deu a coragem para cultivar um novo sonho e, desde então, passei a escrever contos e apresentá-los aos meus irmãos”. 

A partir daquele momento, milhares de livros assumiram um lugar na estante da cantora. Muitos deles mudaram sua vida, como Diário de um ladrão, de Jean Genet –  a influência da obra autobiográfica foi tanta que ela chegou a visitar a colônia penal no noroeste da Guiana Francesa, local onde o autor foi preso. Já outros não tiveram um impacto tão positivo em sua trajetória como leitora, deixando-a, literalmente, doente de desgosto:

“Quando eu era adolescente, comecei a ler ‘O Príncipe e o Mendigo’, de Mark Twain. Ele me deixou com tanta ansiedade que eu vomitei. Até hoje, não consegui terminá-lo (e nem pretendo).”

Seja boa ou ruim, a leitura sempre cumpriu um papel importante no cotidiano da artista. Na juventude, quando discutia com a sua mãe, era o amor pelos livros que as reconectava. Foram os livros, aliás, que cruzaram seu destino com o do fotógrafo Robert Mapplethorpe; eles se conheceram em uma livraria onde Patti trabalhava e se apaixonaram. Mais tarde, o relacionamento originou um dos principais livros de sua carreira: Só Garotos

Fã de Sylvia Plath e amiga íntima de Susan Sontag, ela atualmente divide sua rotina literária em uma newsletter semanal, na qual recita seus poemas favoritos ou compartilha uma foto do livro que está lendo com os fãs. 

“Eu sou como o Gumby: mergulho no universo de um livro e me fecho para o mundo, vivendo temporariamente naquelas páginas. Ao menos que esteja fazendo um trabalho de pesquisa, eu só termino livros que eu amo. Não sou o tipo de pessoa que vai para encontros e sim que gosta de se comprometer. A mesma coisa acontece com os livros: consigo dizer na hora se eu vou amar a obra.”

Amante da literatura desde sempre, são muitas as obras, principalmente clássicas, que ocupam um lugar especial no coração de Patti Smith: separamos dez para você conhecer e se apaixonar tanto quanto ela.

Diário de um ladrão (1949), de Jean Genet

Parte factual, parte ficcional, essa autobiografia é uma das obras mais impactantes que chegaram às mãos de Patti. Narra as experiências do autor durante na Europa dos anos 1930, quando Genet lidava com as maiores dificuldades em sua vida, como a fome e a prostituição. 

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O mestre e Margarida (1967), de Mikhail Bulgákov

Em entrevista para o The New York Times, a artista revelou que foi seduzida pelo livro desde a primeira página, a ponto de viajar para a Rússia e visitar o túmulo de Mikhail Bulgákov. Trata-se da chegada do diabo na cidade russa de Moscou em 1930, em pleno regime comunista. 

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A cruzada das crianças (1896), de Marcel Schwob

Se você é amigo de Patti, provavelmente já foi presenteado pela cantora com essa obra. Publicada em 1896, ela reúne crônicas medievais sobre um grupo de crianças que teriam marchado até Jerusalém.

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Villette (1853), de Charlotte Brontë

Patti ficou tão abalada com o final desse romance que escreveu um final alternativo. Ele narra a história de Lucy Snowe, uma professora de inglês que se muda para um internato na província fictícia de Villette. 

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Ariel (1965), de Sylvia Plath

Publicado dois anos após a morte de Sylvia, a obra é um compilado dos principais poemas da escritora, sendo um dos primeiros contatos de Patti com a mesma.

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Patti ao lado do túmulo de Sylvia Plath

A morte de Virgílio (1945), de Hermann Broch

Livro de cabeceira da musicista, esse marco na literatura do século XX recria as últimas dezoito horas de Virgílio, um dos maiores poetas da literatura clássica latina.

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As aventuras de Pinóquio (1883), de Carlo Collodi

Nas palavras da própria Patti, “esse é o livro perfeito para todas as idades. Ele denuncia a criação, a guerra entre o bem e o mal, a redenção e a transfiguração em um único e maravilhoso conto de fadas. Eu amo essa história desde que tenho sete anos e gostaria de escrever algo similar a ela um dia”. 

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Pinocchio (2007), por Patti Smith

Mulherzinhas (1868), de Louisa May Alcott

Uma das maiores obras do século XIX é, também, o livro que influenciou Patti a começar a escrever. O livro narra o cotidiano da vida das irmãs March, que se deliciam e se entristecem com os prazeres e as dificuldades da juventude.

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A dog of Flanders (1872), de Ouida

Escrito por Marie Louise de la Ramée, sob o pseudônimo de Ouida, essa é uma das obras que marcaram a infância da artista. A história é sobre um garoto chamado Nello e seu cachorro, Patrasche. 

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A honra perdida de Katharina Blum (1974), de Heinrich Böll

O livro que originou a personagem favorita da cantora, que afirmou: "não sei por quê, mas ela me fascina. Já li o livro sete vezes e ela ainda me intriga. Há dias que me pego pensando nela”. Katharina Blum é uma garota comum que, durante uma festa de Carnaval, conhece um homem e passa a noite com ele em sua casa. No dia seguinte, ela é procurada pela polícia e descobre que o recém-conhecido, na verdade, é suspeito de vários crimes. 

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Referências



Arte em destaque: Caroline Cecin

Caroline Cecin
Nascida no verão de 1998 em Mogi das Cruzes. Jornalista e mãe de gato em tempo integral. Apaixonada por palavras, escritoras do século XIX e cantoras dos anos 1970.

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