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Persuasão: um tesouro escondido de Jane Austen

Quando pensamos nas obras de Jane Austen, Persuasão nunca é a primeira que nos vêm à mente. Comparado à incrível popularidade de Orgulho e preconceito e Emma, o último trabalho terminado de Austen vive nas sombras de seus irmãos mais famosos. Apesar disso, ser menos conhecido pelo leitor comum não torna o romance ruim; ele é, pelo contrário, um dos maiores tesouros provenientes da autora.

A história foi escrita por volta de 1816, enquanto Jane esteve enferma. A autora acabou não resistindo, e o romance só pôde ser publicado em 1818, após sua morte. Provavelmente por consequência de sua condição, o livro é um dos mais curtos e “apressados” de Austen. O clássico já teve adaptação para a TV e para o cinema, mas mais uma vem aí - a Netflix anunciou que está produzindo uma adaptação em longa-metragem estrelada por Dakota Johnson, com estreia em 2022. Diversas editoras brasileiras publicaram o livro no Brasil por se tratar de uma obra de domínio público, então é muito fácil encontrá-lo em qualquer livraria.

Persuasão (Persuasion no original) conta a história da gentil e quieta Anne Elliot, filha de um baronete falido. Na flor da idade, Anne se apaixonou por Frederick Wentworth, mas os dois não puderam se casar – ela foi persuadida pela família e por uma amiga próxima a recusar a proposta, visto que Frederick não era rico nem influente. Anos depois, Wentworth volta, agora mais rico que os Elliot e com o título de capitão na marinha, pronto para encontrar uma esposa. A questão fica no ar: o amor pode sobreviver ao tempo?

A história descreve muito bem a sociedade inglesa do século XIX, com pequenas críticas, características de Austen, mas se diferencia das outras obras por ser mais melancólica e menos cômica. Outro fato particular do clássico é que Anne possui 27 anos, sendo a heroína mais madura de Jane Austen, muito diferente de Elizabeth Bennet – Anne é quieta, passiva, gentil e mais tradicional.

Um dos motivos para essa obra ser tão fascinante é o mais óbvio: o romance envolvente. Há mais sofrimento e ansiedade nas personagens do que nos outros livros de Austen, por conta da delicada relação entre Anne e o Capitão Wentworth, permeada de mágoas passadas. O leitor torce para as personagens ficarem juntas, apesar da situação agonizante em que se encontra ao ver Wentworth cortejar outras mulheres e Anne ser cortejada por seu primo. É difícil observar que o casal, ainda apaixonado, tem várias novas barreiras a quebrar para admitir que ainda se ama. Ao longo da narrativa, vemos Wentworth e Anne “esbarrando” um no outro ao acaso, e eles vão aos poucos se reaproximando.

Persuasão (2007)

Outro ponto que merece destaque é a escrita linda de Austen: o trecho “A senhorita rasga minha alma. Estou entre a agonia e a esperança.” é com certeza um dos mais românticos da autora. Ao longo do livro, os sentimentos descritos pelas personagens são expressados de forma poética e fazem o leitor sentir todas as emoções.

"Seus sentimentos em relação a um primeiro e sólido vínculo afetivo; frases iniciadas que ele não conseguia terminar, seus olhares meio esquivos e sua expressão mais do que um pouco significativa, tudo, tudo afirmava que seu coração no mínimo estava voltando a considerá-la, que a raiva, o ressentimento, o desejo de evitá-la haviam desaparecido, e que tinham sido sucedidos não somente por amizade e apreço, mas pela mesma ternura do passado."

A mensagem da história é que segundas chances existem. Quando somos jovens, não temos plena maturidade para tomar decisões importantes, como a do casamento. Anne, no final, por mais que tenha sofrido, se perdoa pela sua decisão da época. Não há como mudar o passado, mas precisamos ter coragem de seguir em frente e aceitar o que realmente queremos.

“Forçada a ser prudente quando jovem, ela havia aprendido a ser romântica ao envelhecer: a sucessão natural de um início natural."



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Arte em destaque: Mia Sodré 

Comentários

  1. Amei a matéria!! Realmente o melhor da Jane, finalmente ganhando reconhecimento!

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  2. Persuasão é o meu preferido da Jane e, como sou mole, óbvio que chorei só de reler algumas trechos aqui, hahaha. Agora me sinto obrigada a reler o livro para chorar mais. Brincadeiras a parte, o texto está maravilhoso, como sempre <3

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