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A ciência por trás dos muitos mundos de A biblioteca da meia-noite

Em A biblioteca da meia-noite, encontros entre diversos universos são possíveis. O romance de Matt Haig não é clássico, mas nos apresenta o conceito do multiverso de forma a ilustrar essas vidas paralelas que nossos outros eus levam em diferentes Terras, bebendo de clássicos literários da fantasia e ficção científica que já trabalharam o tema, tudo unido à sensibilidade de questões sobre saúde mental que permeiam a história. 

No livro, Nora está passando por um momento difícil. Após perder o emprego e o gato, ela tenta o suicídio. Enquanto fica entre a vida e a morte, ela entra na biblioteca da meia-noite - um lugar reservado àqueles que não estão nem mortos, nem vivos, mas entre dois mundos. Esta biblioteca é especial: cada pessoa tem a sua e ela só pode ser acessada nesse não-lugar. Todos os livros nela são vidas paralelas que outros eus estão levando. A partir daí, Nora explora diversas vidas, descobrindo como teria sido se ela tivesse insistido na natação, ou na banda que tinha com o irmão. Entrando e saindo de cada história, ela encontra outros viajantes na mesma situação que ela - e também encontra a si mesma no processo. 


O multiverso de A biblioteca da meia-noite: uma possibilidade? 

A Terra não é plana, mas o universo pode ser. É o que afirmam diversos cientistas que, após anos de pesquisa, chegaram à conclusão de que o universo é plano. Para entender, precisamos começar perguntando: qual é o formato do universo? É estranho pensar que algo tão colossal quanto ele possa sequer ter um formato, mas há algumas coisas que nos dão pistas de que, sim, ele tem uma forma. A começar pela matéria escura, que deforma o tecido do espaço/tempo onde se encontra. Se existe deformação, existe um formato. E, depois de muito estudo, cálculos e alguns testes, os cientistas chegaram a uma conclusão cuja margem de erro é de apenas 0,4%: o universo é plano. E provavelmente infinito. 

É claro que nunca conseguiremos construir uma nave espacial suficientemente potente para explorarmos a teoria na prática. Simplesmente não há cálculo que dê conta de todo um infinito. Porém, a partir daí, é fácil entender algumas coisas, como a teoria dos muitos mundos, ou o multiverso. 

Embora infinito, existem apenas um número x de partículas elementares no universo. E as combinações dessas partículas são o que formam tudo o que existe e que conhecemos. Também é importante lembrar que, apesar de enorme, o universo observável é pequeno perante o todo infinito. 

Um exemplo simples que pode nos ajudar a entender o multiverso é: por maior que seja seu guarda-roupa, eventualmente você vai repetir um look - simplesmente porque seu número finito de roupas limita as combinações possíveis. Isso também acontece com o universo - mas numa escala gigantesca, incompreensível para a mente humana. E, sendo infinito, isso significa que a cada x espaço, o padrão de uma galáxia igualzinha a nossa, com uma mesma Terra, mesmos habitantes e um outro alguém idêntico a você vai existir. É uma exigência matemática: existe um outro você, numa outra Terra, igualzinho a quem você é, usando as mesmas roupas, vivendo o mesmo dia. Mas o interessante aqui é que para cada Terra gêmea do multiverso, existem outras infinitas Terras diferentes. Mundos em que a vida não evoluiu. Outros quase iguais a este, mas em que você é um milionário, por exemplo. Em um mundo, você pode estar escalando uma montanha. Em outro, ser mestre confeiteiro. Existem infinitas versões de todos nós no multiverso, pois o arranjo das partículas proporciona essa infinidade de possibilidades. 

E nós nunca as encontraremos, embora saibamos, através da física e da mecânica quântica, que elas existem - exceto na ficção, que nos permite vislumbrar a trama do universo. 

Clássicos com multiversos 

Matt Haig retomou com sensibilidade o assunto dos multiversos, já explorado em clássicos da fantasia e da ficção científica - alguns bem antes da teoria ter sido, de fato, cunhada no mundo da física e da mecânica quântica. Estes são alguns dos clássicos que falam de multiversos: 

As Crônicas de Nárnia 

Inspirado por outro clássico (The aunt and Amabel, de Edith Nesbit), C. S. Lewis escreveu os sete livros que compõem As Crônicas de Nárnia entre 1949 e 1954. O primeiro livro, O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, conta a história de quatro crianças que vão parar nesse reino misterioso - Nárnia - após atravessarem um portal dentro de seu guarda-roupa. 

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A Torre Negra 

Além de seus (muitos) livros únicos, Stephen King é autor de uma série de ficção científica/terror que mistura faroeste e alta fantasia. A Torre Negra possui sete livros, publicados entre 1982 e 2012, que interligam outras obras do autor. A história conecta-se no Mundo Médio - referência direta a J. R. R. Tolkien - e suas personagens viajam entre diversos mundos em busca de um objetivo. 

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Os Próprios Deuses 

Publicado em 1972, Isaac Asimov trabalha uma ideia interessante em Os Próprios Deuses: se dois universos paralelos se encontrassem, eles (e seus povos) poderiam se unir ou um acabaria anulando o outro? Frederick Hallam é um cientista medíocre, mas acidentalmente descobre uma nova substância que permite a criação da Bomba de Elétrons, uma fonte de energia gratuita e inesgotável. Mais do que uma promessa de avanços importantes para a humanidade, essa inovadora tecnologia revela a existência de um universo paralelo, uma outra realidade que passa a ser analisada e com a qual os estudiosos tentam fazer contato. 

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Uma Dobra no Tempo 

Madeleine L'Engle demorou bastante para conseguir publicar seu livro, Uma Dobra no Tempo, em 1962. Mas a espera valeu: seguido deste, vieram outros quatro livros que compõem a série - uma história belíssima e importante, especialmente para jovens leitoras, que são convidadas a adentrarem num mundo de possibilidades científicas para mulheres. Após o desaparecimento do pai, Meg e Charles Wallace, duas crianças, se envolvem em um mundo onde a física encontra-se com a magia e viajam pelo tempo utilizando o tesserato.

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O Homem do Castelo Alto 

Philip K. Dick é conhecido por suas histórias que sempre extrapolam o universo ao qual estamos acostumados. Em O Homem do Castelo Alto, isso acontece em 1962, mas a história é diferente. Quem ganhou a Segunda Guerra Mundial foi a Alemanha, aliada ao Japão, e são eles que governam o mundo agora. As personagens do romance vivem adaptadas a essa realidade, mas há o rumor de uma outra, uma em que a Alemanha perdeu. 

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Alice no País das Maravilhas 

Um dos maiores clássicos de fantasia, a história de Lewis Carroll, publicada em 1865, nos apresenta a menina Alice que, certo dia, cai em uma toca de coelho e acaba se deparando com um universo alternativo repleto de coisas incríveis e assustadoras. 

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A História Sem Fim 

Uma das mais belas histórias de fantasia já escritas, A História Sem Fim é obra de Michael Ende, um escritor alemão que a publicou em 1979. No livro (que ficou conhecido por sua adaptação cinematográfica), o jovem menino Bastian Balthazar Bux começa a ler um livro chamado A História Sem Fim. A princípio apenas um leitor do livro, logo Bastian percebe que os habitantes do reino de Fantasia, onde se passa a história, percebem sua presença, e há uma troca entre leitor e leitura. 

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O Mundo Resplandecente 

Margaret Cavendish foi a primeira pessoa a escrever ficção científica. Seu livro, O Mundo Resplandecente, publicado em 1666, relata a jornada de uma mulher que adentra um outro mundo, noutro universo, durante uma viagem ao Pólo Norte. A partir daí, ela se torna a imperatriz do Mundo Resplandecente, e a narrativa segue misturando questões filosóficas com ciência, política e fantasia. 

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Referências 


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Arte em destaque: Mia Sodré 

Mia
Jornalista e pessoa da internet há uma década. Editora e analista literária, quando não está lendo escreve sobre clássicos e sobre mulheres na história. Pesquisa o gótico no século XIX. Vive em Porto Alegre, onde está há vinte e poucos anos ajudando na entropia do universo.

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