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Traição, ambição e glamour: a história real do assassinato de Maurizio Gucci


Parecia um dia como qualquer outro. Em 27 de março de 1995, Giuseppe Onorato, funcionário de um edifício na Via Palestro, preparava-se para começar seus afazeres diários. Abriu as portas do edifício, passou a varrer as folhas que se aglomeravam na entrada. No entanto, a atmosfera de normalidade foi quebrada com a chegada de Maurizio Gucci. Quando ele estava subindo a escada rumo a seu escritório, um homem entrou no prédio e o alvejou. Maurizio levou vários tiros, o principal na têmpora, e caiu nas escadarias do edifício da Via Palestro. Era o fim de uma era para os Gucci e o começo do caso de assassinato que sacudiu a Itália dos anos 1990.

O assassinato de Maurizio Gucci selou o fim de uma era de glamour, traições e brigas entre a família Gucci. Todos os outros membros que haviam ajudado a construir uma das maiores marcas do mundo da moda já estavam mortos. Maurizio fora o último comandante do império Gucci, antes de as empresas terem sido vendidas, em 1993. Dessa forma, a família quebrou o mandamento fundamental do fundador da marca, Guccio Gucci: deixar que a empresa não fosse comandada por parentes.

As investigações do assassinato de Maurizio duraram dois anos, até que a polícia italiana descobriu que a mandante do crime havia sido Patrizia Reggiani, sua ex-esposa. O que a havia levado a isso? A história entre o casal se cruza com os reveses pelos quais a Gucci passou entre os anos 1970 a 1980. A ambição de Maurizio e a influência de Patrizia em sua vida só podem ser entendidas ao olharmos com maior profundidade para as constantes brigas familiares pela Gucci, regadas a traições, no maior estilo Caim mata Abel.

A fundação da Casa Gucci

Os Gucci vieram da região de Florença, na Itália. Nossa história começa no século XIX, quando os pais de Guccio lutavam contra a falência do negócio de chapéus de palha da família. O ambicioso Guccio abandonou a miséria na qual se encontravam e foi para Londres. Lá, ele trabalhou no Hotel Savoy. Reza a lenda que foi naquele local que a semente da Gucci foi plantada. Guccio via as malas dos hóspedes e ficou impressionado com a qualidade desses produtos, especialmente os de couro, já que ele havia tido contato com esse material em sua juventude na Florença.

Quando voltou a Florença, Guccio se apaixonou por Aida Calvelli, que dera à luz três garotos, que seriam o futuro da Gucci: Aldo, Vasco e Rodolfo. Também tiveram uma filha, Grimalda, a quem os direitos da Gucci foram negados posteriormente pelo fato de ela ser mulher. Nesse contexto, o patriarca começou a ter um contato mais profundo com o couro, material que dominaria boa parte dos produtos Gucci. Depois da Primeira Guerra Mundial, Guccio trabalhou na Franzi, uma empresa de artefatos de couro. Foi lá que aprendeu diversas técnicas de secagem e manejo do couro. Com tanto talento, chegou a ser promovido na empresa, mas ele queria mais.

A atriz Grace Kelly saindo da loja da Gucci em Nova York

Depois de acumular muito conhecimento sobre artigos de luxo e em couro por onde passou, Guccio fundou a primeira companhia, Valigeria Gucci, nos anos 1920. A ideia de Guccio era atingir os mesmos clientes do Hotel Savoy, gente de bom gosto que não hesitaria em pagar valores exorbitantes por uma mala de couro fabricada com esmero. O que diferenciava Guccio de outros concorrentes era o fato de que ele construíra uma oficina atrás da loja, assim os produtos com defeito podiam ser consertados pelos próprios artesãos locais. Foi assim que, aos poucos, a reputação da Gucci foi se firmando em Florença.

A virada no negócio dos Gucci acontece quando Guccio passa a produzir artigos originais para a loja. Até aquele momento, ele importava e revendia as peças, e por isso a criação de uma oficina. Ao estimular os artesãos a criarem bolsas de couro, pastas de camurça, Guccio estava, de certa forma, replicando o que havia visto no Hotel Savoy. Durante os anos 1920, a família começou a adquirir as primeiras lojas em lugares célebres da Itália.

À medida que os filhos iam crescendo, era tradição que começassem a trabalhar nos negócios da família. Começavam de baixo e iam progredindo, bem ao estilo italiano, em que tinham de batalhar para ter as coisas. Guccio não queria que seus filhos não percebessem o valor do dinheiro. Dos três filhos, quem sempre se destacou pela aptidão e dedicação aos negócios foi Aldo Gucci. Ele começou atendendo na loja da família e já era evidente o charme e traquejo com as mulheres. Além disso, Aldo tinha uma lábia incrível, algo que podemos perceber pelas poucas entrevistas dele que encontramos disponíveis na internet.

Rodolfo Gucci

Já Rodolfo Gucci enveredou para o lado oposto: a atuação. Não tinha o mesmo tato de Aldo para atender os clientes no balcão. Um dia, Guccio mandou Rodolfo entregar uma encomenda em Roma, e o cliente em questão era o diretor de cinema Mario Camerini. A partir dali, começava a carreira de Maurizio D'Ancora, nome artístico escolhido por Rodolfo. A família, principalmente Guccio, foi contra, mas ele construiu uma carreira bem importante como ator. Em 1948, nascia Maurizio, que recebera o mesmo nome artístico de Rodolfo. Uma curiosidade é que Rodolfo tinha a ideia megalomaníaca de fazer um filme (o que ele conseguiu) contando a história da família a Maurizio. A mãe de Maurizio, Alessandra Winklehaussen, morrera muito cedo, e Rodolfo foi juntando material para registrar a história de sua família e da esposa para o filho.

Assim, quem assumiu o controle dos negócios foram Aldo e Vasco. Desde cedo, os filhos de Aldo trabalharam nas lojas Gucci, principalmente Paolo, com quem a família teria os maiores conflitos em torno do nome Gucci. Nos anos 1950 e 1960, a Gucci vive seu apogeu. Um exemplo disso é a famosa bolsa de bambu, feita artesanalmente pela marca, que se tornou um item de luxo. Ela era feita a mão, e o bambu dobrado no fogo por artesãos. Toda mulher queria aquela bolsa. Estrelas de cinema também usavam a marca. Um dos casos mais famosos é o de Grace Kelly, para quem Rodolfo criou, junto com o artista Vittorio Accornero, uma echarpe, em 1966. A criação desse presente personalizado fez com que a Gucci começasse investir em seda.

Grace Kelly usando o famoso lenço da Gucci, criado especialmente para ela

Porém, quando chegou aos anos 1970, a marca Gucci já estava desgastada. Aldo havia criado as primeiras lojas fora da Itália, e assim a Gucci passou a aumentar seu rol de produtos. Essa se provou uma jogada equivocada, já que facilitou a falsificação dos produtos. De acordo com Lilian Pacce, colunista de moda, a Gucci virou sinônimo de algo cafona, produtos de free shop que os turistas traziam de lembrancinha para parentes. Era necessário revitalizar a marca e trazer o glamour dela de volta. Foi aí que começaram as brigas entre Maurizio, Paolo e Aldo.

Em 1983, com a morte de Rodolfo, o caldo entornaria para os Gucci. Maurizio, que até aquele momento não participava dos negócios da família, herdou 50% das ações da empresa. Isso foi motivo de revolta para Aldo e seus filhos, uma vez que eles se matavam pela Gucci e não tinham a metade como Maurizio. A luta pelos 50% das ações foi muito noticiada na imprensa, uma vez que Maurizio fora acusado de falsificar a assinatura do pai para ficar com as ações. Ele seria absolvido das acusações, mas até hoje não se sabe se foi realmente verdade. Mas não é só isso, pois outros reveses ainda piores aguardavam os Gucci: a traição de Paolo e a prisão de Aldo.

Depois de herdar as ações, Maurizio queria revitalizar a Gucci, mas para isso precisava tirar Aldo da presidência. Então, ele atacou em duas frentes. Primeiro, aliou-se a Paolo, que sempre tivera diferenças com o pai e a família e detinha 3% das ações, para deter o controle acionário da Gucci. Em uma reunião, no melhor estilo O Poderoso Chefão, Maurizio anunciou que detinha o controle da empresa. Aldo não teria maioria em nenhuma decisão. Depois, foi a vez da prisão de Aldo. O italiano amava os EUA e fez seu lar na terra do Tio Sam, mas devia impostos até as calças. Maurizio se aproveitou disso, denunciou o tio à Receita Federal, o que resultou na prisão dele. Assim terminava a era Aldo, o homem que levou a Gucci a ter o peso da qual desfruta hoje em dia. Começava a era Maurizio, mais moderna, mas nem por isso menos turbulenta que a anterior.

Patrizia e Maurizio: o furor de um amor proibido

A história de amor entre Patrizia e Maurizio começa bem antes dele assumir o controle da Gucci. O cerne dela talvez seja a relação turbulenta entre pai e filho. Muito antes de Patrizia entrar na vida de Maurizio, o rapaz se sentia controlado pelo pai. Como Alessandra morrera muito cedo, o filho era superprotegido. Desde jovem, Maurizio queria sair do controle de Rodolfo e foi com Patrizia que, indiretemente, ele iniciou sua revolução.

Patrizia e Maurizio se conheceram em 1970, na festa de debutante de Vittoria Orlando. Ela aconteceu em um apartamento da família, na Via dei Giardini, uma zona de ricos empresários em Milão. Apesar de ser um rapaz cobiçado, Maurizio era desajeitado. Naquela festa, que mudaria para sempre os rumos de sua vida, ele fez a primeira revolução silenciosa para um jovem tímido: foi conversar com ela. Naquela época, Patrizia lembrava muito Elizabeth Taylor e era considerada uma jovem de tremenda beleza. Tinha olhos violeta, como os da atriz, que hipnotizavam os rapazes.

Patrizia Reggiani nos anos 80

Patrizia não tinha um sobrenome de berço como Maurizio. Ela era filha de Silvana Barbieri, uma mulher que crescera ajudando em um restaurante em Modena, na Emilia-Romagna. O sobrenome Reggiani veio do pai, Fernando Reggiani, que iniciara o relacionamento com a mãe como amante e terminara adotando Patrizia, porque Silvana se casara com outro para dar um nome à filha. Patrizia e o pai se davam muito bem, e desde sempre ela fora um pouco transgressora, questionadora e travessa. De acordo com Sara Gay Forden, Patrizia nunca escondeu que queria se casar com um homem rico. Em Maurizio ela viu essa oportunidade.

No entanto, o casal teria que enfrentar a resistência de Rodolfo. Quando Maurizio anunciou que queria se casar com Patrizia, o pai não gostou. Ele já tinha mandado investigar a moça e não gostara nada do que havia descoberto. Rodolfo acreditava que Patrizia era uma arrivista, interessada apenas na fortuna de Maurizio e no nome Gucci. Como não estava disposto a abrir mão do casamento, Maurizio desentendeu-se com o pai, o que fez com que parassem se de falar. Maurizio havia sido deserdado por Rodolfo.

Foi assim que Maurizio pediu abrigo na casa dos Reggiani. Ele passou a morar com os sogros e a trabalhar arduamente. Aos poucos, Maurizio foi conquistando a confiança de Fernando. O casamento, naquele momento, estava pausado, pois Fernando achava o casal muito jovem para aquele tipo de decisão. Porém, acabou convencido e deu a bênção para a união. Por outro lado, Rodolfo estava relutante e chegou até a pedir ao cardeal de Milão, Giovanni Colombo, para impedir a cerimônia. Foi em vão: eles se casaram em 28 de outubro de 1972, sem que nenhum Gucci comparecesse à celebração.

O casamento entre Maurizio e Patrizia

Quem reconciliou pai e filho, ironicamente, foi Aldo. Ele já estava de olho em Maurizio, surpreso por sua insistência em enfrentar o pai. Naquela época, Aldo procurava um sucessor nos negócios, alguém que pudesse ir trabalhar com ele em Nova York, expandindo a marca mundo afora. Maurizio parecia o tipo ideal. Aldo intercedeu a favor de Maurizio, convencendo o irmão a se reconciliar com o filho. Os dois não se falavam há dois anos.

"Não seja idiota! Se você não trouxer Maurizio de volta à família, eu estou dizendo, você se tornará um velho solitário e amargo."

Quando Maurizio voltou ao círculo social de sua família, ele estava no céu. Além de o pai estar tentando agradar o casal, presenteando-os com imóveis, Maurizio e Patrizia se mudaram para Nova York para que o jovem ajudasse Aldo a expandir a Gucci nos EUA. Foi um tempo muito feliz para o casal, que teve duas filhas, Allegra e Alessandra. A partir da metade dos anos 1980, o casal enfrentaria crises que resultariam na separação e no começo do planejamento do assassinato de Maurizio por Patrizia.

Genealogia de um crime

Quando conquistou a Gucci e assumiu o poder, Maurizio mudou. Antes, ele se aconselhava com Patrizia e levava em consideração o que ela tinha a dizer. Mas depois que Domenico de Sole, advogado que ajudou a reerguer a Gucci nos anos 1980, surgiu na jogada, Patrizia fora deixada de lado. De acordo com Sara Gay Forden, Patrizia criticava todas as atitudes de Maurizio, fato que o foi cansando cada vez mais. Ela chegava a dizer que não servirem champanhe a ele primeiro significava que não o respeitavam. 

1985, de acordo com o diário de Patrizia, foi o ano definitivo da separação. Antes, eles até tentaram manter as aparências pelas filhas. Mas, no Natal de 1985, a coisa explodiu. Patrizia teria ficado furiosa por ter sido desprezada pelo marido em uma data tão importante para ela. A partir daí, cada um foi para um lado. Maurizio brigava pela guarda das filhas, afirmando que a mãe fazia a cabeça delas contra ele. Ele também passou a proibir que Patrizia frequentasse as propriedades da família, como a famosa casa em Saint Moritz.

Foi logo depois que Maurizio foi embora de casa que Patrizia conheceu uma das figuras chave do assassinato do último dos Gucci: a vidente Pina Auriemma. Desde sempre, Patrizia tinha interesse pelo sobrenatural, inclusive reza a lenda que Maurizio chamou uma pessoa para desfazer as energias ruins que Patrizia havia colocado em uma das propriedades dele, Saint Moritz. Pina foi a família de Patrizia durante aquela época difícil. A própria Patrizia conta que pensou em suicídio e, graças a Pina, não cometeu o ato. Pina foi a pessoa que intermediaria o contato entre os assassinos de Maurizio e Patrizia.

As insatisfações de Patrizia foram somando-se ao longo dos anos, mas ficaram insuportáveis em 1990, quando o ex-marido começou a namorar Paola Franchi. Naquela época, Maurizio havia vendido sua parte ao grupo Investcorp, ou seja, não comandava mais a Gucci. Era outro tempo para ele, um tempo de mudanças. Pela primeira vez, ele se sentia livre para fazer o que quisesse da vida, sem ter que se preocupar em gerir uma empresa de porte mundial. Inclusive, Maurizio comprou um novo apartamento para morar com a namorada e o filho dela, e tinha planos de trazer as filhas para morarem com eles.

Paola Franchi e Maurizio

Na mesma época, Patrizia descobriu um tumor no cérebro, do tamanho de uma bola de bilhar. Ela esperava que Maurizio estivesse ao lado dela na cirurgia, mas o ex-marido mandou apenas um buquê de flores após o procedimento, despertando a ira de Reggiani. Algum tempo depois, ela mandou uma gravação bastante desaforada a ele:

"Maurizio, eu não vou lhe dar um minuto de paz. Não invente desculpas, dizendo que eles não deixaram você me visitar... minhas queridinhas correram o risco de perder a mãe e minha mãe correu o risco de perder a única filha. Você esperava... Você tentou me aniquilar, mas não pôde. Agora eu vi a cara da morte... Você passeia de Ferrari, que comprou secretamente porque queria aparentar que não tinha dinheiro, enquanto aqui em casa os sofás brancos estão beges, o assoalho tem um rombo, os carpetes precisam ser trocados e as paredes precisam de restauração [...] Mas não há dinheiro! Maurizio, o inferno para você ainda vai chegar."

Além dessa gravação, Patrizia talvez já desse indícios de que pensava em se vingar do marido. No aniversário de Alessandra, ela teria perguntado a seu advogado, Cosimo Auletta, o que aconteceria a ela se resolvesse dar uma lição em Maurizio. Depois de voltar mais uma vez a esse assunto, o advogado decidiu parar de representar Patrizia. Ele colocou o advogado de Maurizio e Silvana Reggiani a par desses comentários.

Quando Maurizio foi assassinado, foi um choque. Inicialmente, as pessoas pensaram que o crime estava ligado à máfia, ou a possíveis negócios escusos de Maurizio, então quase ninguém foi ao velório dele. As fotos dessa ocasião, que mostram Patrizia toda de preto, com um véu cobrindo os olhos, valeram a ela o apelido de "Viúva Negra", dado pela imprensa. Inclusive, uma das imagens evoca muito a icônica personagem de Barbara Stanwyck, no filme Pacto de Sangue, quando ela aparece diante da polícia com um véu negro cobrindo o rosto após ter assassinado o marido.

Patrizia e as filhas durante o velório de Maurizio Gucci

De acordo com o documentário Fashion Victim: Last of Guccis, Patrizia deu a seguinte declaração à imprensa sobre a morte do ex-marido:

"Algumas pessoas morrem na cama. Algumas pessoas morrem na rua, mas outras têm o privilégio de serem assassinadas."

Era, no mínimo, uma declaração inusitada, se pensarmos que, apesar de tudo, ele ainda era o pai de suas filhas. A verdade é que depois disso as investigações seguiram seu curso, mas sem resultado. A polícia italiana investigou os negócios de Maurizio dentro e fora da Itália e não encontrou nada que pudesse relacionar ao assassinato. Porém, uma denúncia anônima mudaria tudo. Gabriele Carpanese ligou para a polícia de forma anônima querendo contar o que sabia sobre a morte de Maurizio. Ele era amigo de Ivano Savioni, que contou a ele os pormenores do plano para assassinar o último herdeiro da Gucci.

O assassinato de Maurizio fora encomendado por Patrizia, mas quem fez a intermediação entre os matadores e Reggiani foi Pina Auriemma, amiga dela. A polícia italiana estava bastante intrigada, pois o crime não parecia coisa de matador profissional - o que de fato não era. Os assassinos de Maurizio eram homens envolvidos em crimes menores. Patrizia pagou 600 milhões de liras para matar Maurizio. Benedetto, o mecânico que atirou em Maurizio, chegou a construir um silenciador caseiro usando feltro. Tudo foi muito simples, mas muito bem executado.

Depois que Gabriele contou o que sabia, a polícia tinha que arrumar um jeito de fazer com que os cúmplices confessassem o crime. Para isso, eles envolveram um investigador da polícia que se disfarçou como "Carlos", um negociante de drogas. Carlos tinha um plano para fazer com que Patrizia pagasse mais aos criminosos. Eles se ressentiam do fato de que la signora estava vivendo na antiga casa de Maurizio, com todo o luxo possível, enquanto eles haviam recebido tão pouco pelo assassinato. Ela tinha de pagar mais. 

A polícia conseguiu pegar os cúmplices pelo telefone, grampeando conversas entre Pina e os outros envolvidos, mas Patrizia foi mais difícil. Eles tiveram que esperar mais tempo para prender todos, pois não conseguiam nenhuma declaração comprometedora de Reggiani. Até que certo dia a polícia conseguiu, e então, na madrugada do dia 31 de janeiro de 1997, eles bateram na casa da Corzo Venezia, onde Maurizio morou com Paola nos últimos dias de sua vida e que fora confiscada por Patrizia logo que o ex-marido morreu. A história dessa prisão é digna de uma novela. Quando abriu a porta para a polícia, Patrizia logo disse:

"Vocês vieram por causa do meu marido, não é?"

Alguns consideram essa declaração como se ela já soubesse que tudo havia acabado. Mas não foi só isso. Antes de ser levada pela polícia, Patrizia vestiu seu casaco de pele, algumas joias e pegou uma bolsa Gucci. O investigador Ninni conta que, naquele momento, qualquer piedade que ele pudesse ter de Patrizia morreu. Quando chegou à delegacia, Patrizia teve que entregar as roupas e joias à sua mãe, mas não importava, ela já tinha feito uma saída triunfal, como se não devesse a ninguém.

O dia da prisão de Patrizia

Quando foi julgada, Patrizia alegou que estava fora de si, mas a corte não aceitou. Ela afirmava que foi chantageada pelos assassinos, mas as evidências mostravam o contrário. Uma das principais provas que foram usadas contra ela no tribunal era seu diário. A entrada do dia da morte de Maurizio continha apenas a palavra "Paraíso", escrita em grego. Outra entrada dizia: "Nenhum crime não pode ser comprado"

Em 1998, ela foi condenada a 29 anos de prisão. Patrizia alegaria que o tumor no cérebro havia afetado sua personalidade. Em 2000, a pena foi diminuída para 26 anos. Ela chegou a tentar suicídio na prisão, tentando estrangular-se com um lençol. Em 2016, Patrizia conseguiu a condicional por bom comportamento. Agora, um novo capítulo começa. Isso porque a história dos Gucci virou um filme, dirigido por Ridley Scott, com Lady Gaga e Adam Driver nos papéis de Patrizia e Maurizio, respectivamente. Fica a questão: como eles serão retratados? Só saberemos em novembro, quando o filme estrear nos cinemas.

Referências



Arte em destaque: Mia Sodré 
Jessica
Tradutora e apaixonada por pesquisar sobre temas obscuros, sejam telenovelas ou peças de teatro perdidas por aí. Gosta de passar o tempo revirando o Arquivo Nacional em busca de novas descobertas ou lendo sobre a Old Hollywood. Parece séria, mas adora ouvir Gretchen sozinha na sala.

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