Napoleão e o Espectro, um conto de Charlotte Brontë


A antologia Vitorianas Macabras, publicada pelo selo Macabra, da DarkSide Books, apresenta ao público treze contos de horror do período vitoriano, escritos por mulheres, sendo que alguns deles foram traduzidos pela primeira vez para o português brasileiro. No livro, temos apenas uma obra de Charlotte Brontë, o conto Napoleão e o Espectro, infelizmente não tão falado em nosso país quanto seu romance mais conhecido, Jane Eyre — obra esta, que vale ressaltar, era elogiada até mesmo pela Rainha Vitória.

Charlotte Brontë

Charlotte nasceu em 1816, na Inglaterra. Ao longo de sua vida, foi governanta e professora, até de fato investir em sua carreira literária. As circunstâncias não eram favoráveis a Charlotte, que nasceu em uma família de muitas irmãs, com um pai que ganhava apenas um modesto salário e sem mãe, já que ficara órfã muito cedo. O pai preocupava-se com o que seria de suas filhas quando ele não estivesse mais presente, já que o casamento ainda era a vida mais fácil e comumente seguida para o sustento, no entanto, como essa não parecia ser a inclinação das irmãs Brontë, ele instigou nelas a ideia do trabalho. Suas vidas não foram fáceis, e elas exploraram as circunstâncias que podiam durante um período, sem deixar, entretanto, a escrita de lado. Aos 20 anos, Charlotte teve seus manuscritos rejeitados pelo poeta Laureate Robert Southey, que alegou que “a literatura não pode ser o objetivo de vida de uma mulher e nem deveria ser”. Felizmente, ela não desistiu, vindo a escrever alguns romances, contos e poemas. Criada em um lar cristão, Charlotte fez dos medos incutidos entre o céu e o inferno, e a cobrança pela perfeição, o pior dos horrores para os seres humanos. Faleceu em 1855, aos 38 anos, por complicações em uma gravidez. 

O Conto 


Publicado em 1833, Napoleão e o Espectro é um brevíssimo conto. Napoleão, o imperador, está em seu leito, prestes a dormir, quando incomoda-se com alguns sons estranhos, que parecem estar próximos demais de seu ouvido. Como se a traição de sua audição não bastasse, velas se apagam e sons de risada começam a surgir de seu armário. Acreditando tratar-se apenas de uma ilusão, Napoleão tenta retornar ao sono, mas é impedido por uma forma, vestida em trajes azuis com detalhes dourados.

A aparição o leva até uma das ruas de Paris, a uma casa cujas moradoras são mulheres com coroas de flores e máscaras que representam a face da morte, entre elas, Maria Luísa, a imperatriz. Tendo sua atenção chamada por uma música de baile, o imperador se vê conversando com Maria enquanto veste suas roupas de dormir, em um estado que não deixa clara a realidade do que aconteceu. Teria sido Napoleão conduzido até o baile por uma aparição soturna ou fora ele vítima do sonambulismo? O breve horror a que Charlotte nos apresenta é um já bem conhecido: o temor de não sermos capazes de confiar em nosso próprio juízo.
"O que é uma ilusão, imperador da França? Não! Tudo o que tens ouvido e visto é a triste realidade que se prenuncia. Erga-se, portador da Água Imperial! Acorde, comandante da coroa francesa! Siga-me, Napoleão, e verás mais.”

Se interessou pelo conto? Você pode encontrá-lo aqui.


 
Texto e imagem de destaque: Tati Ferrari

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